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Questão FC249360

No livro didático de Rocha Pombo, História do Brasil para o ensino secundário, que em 1922 estava na sua 19ª edição, há a reprodução de três quadros de Benedito Calixto (1853-1927)

História Geral

VUNESP · 2019

No livro didático de Rocha Pombo, História do Brasil para o ensino secundário, que em 1922 estava na sua 19ª edição, há a reprodução de três quadros de Benedito Calixto (1853-1927): Chegada da frota de Martim Afonso de Sousa, Martim Afonso a caminho de Piratininga e Fundação de São Vicente. Essas obras inserem-se numa modalidade que alguns especialistas consideram como deturpação do gênero de pintura histórica.

 

[Thais N. de L. e Fonseca.

“Ver para compreender”: arte, livro didático e a história da nação.

Em: Lana M. de C. Simam e Thais N. de L. Fonseca (orgs.).

 

 

Inaugurando a História e construindo a nação. Discursos e imagens no ensino de História. Adaptado] Deturpação porque, nas obras de Benedito Calixto,

  1. houve a opção por um olhar histórico mais voltado para os grupos sociais brasileiros menos prestigiados pelo conjunto dos brasileiros, caso dos povos indígenas e dos afrodescendentes.
  2. existe mais preocupação em fazer um radical combate político da nascente ordem republicana do que representar com naturalidade eventos relacionados às origens no Brasil como nação.
  3. há pouca naturalidade, condição revelada pela ampla mistura de elementos brasileiros e estrangeiros, além da diversidade de tempos presentes, em uma confusão entre passado e presente.
  4. as referências historiográficas vieram de autores desvinculados do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, proponentes de uma história nacional que justificava o atraso nacional em virtude da colonização lusa.
  5. não havia o respaldo de textos históricos e de uma leitura rigorosa de documentos que pudesse orientar a execução da obra, diverso do que ocorreu com as obras de Victor Meirelles e Pedro Américo.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

As obras de Benedito Calixto representam uma reconstrução imaginada de episódios coloniais: o pintor confirmou cenas a partir de convenções pictóricas, memórias coletivas e imagética nacional, não de pesquisa documental aprofundada.

Falta nelas o respaldo documental — textos, relatos ou estudos críticos que orientassem a composição histórica e a verossimilhança dos detalhes (roupas, cenários, gestos, cronologia).

Por isso essas pinturas tendem ao romantismo e à idealização, inserindo elementos anacrônicos e generalizações que atendem mais a uma narrativa nacionalizante do que a uma representação verificável do passado.

Em contexto pedagógico, esse procedimento caracteriza uma deturpação do gênero de pintura histórica, pois substitui investigação crítica por imagens de efeito simbólico.

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