Questão FC249370
Se nos detemos nas formas de reprodução da hierarquia socioeconômica do Rio de Janeiro na passagem do século XVIII para o seguinte, nos defrontamos com um movimento aparentemente p
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2023
Se nos detemos nas formas de reprodução da hierarquia socioeconômica do Rio de Janeiro na passagem do século XVIII para o seguinte, nos defrontamos com um movimento aparentemente paradoxal. Parte expressiva da elite empresarial mercantil, após duas gerações de contínua acumulação no mercado, tende a abandonar os seus negócios, passando a investir em atividades rurais e rentistas, em geral bem menos lucrativas do que o comércio.
(João Fragoso e Manolo Florentino, História econômica. Em: Ciro Flamarion Cardoso e Ronaldo Vainfas (orgs.),
Domínios da História – Ensaios de teoria e metodologia)
Segundo Fragoso e Florentino, para compreensão da passagem dos negócios mercantis para as atividades rurais e rentistas, é necessário considerar que
- ocorreu forte incentivo, por parte da Igreja Católica e mormente da inquisição, para que houvesse a expansão da colônia portuguesa em direção ao oeste, de modo a combater as populações indígenas insurgentes.
- manter atividades mercantis e não tratar o processo de colonização como um projeto essencialmente religioso fazia com que os comerciantes fossem desprestigiados pelas autoridades lusas.
- mantinham-se, ao longo do processo de colonização, tradições essencialmente medievais em relação à esfera do econômico, que condenavam a acumulação de riquezas, assim como a troca mercantil.
- conservar as grandes casas de comércio, voltadas para a exportação e importação de mercadorias, exigia desses comerciantes a aproximação com uma série de ilegalidades, caso do contrabando.
- se vivia em uma sociedade na qual a ascensão social ligava-se fundamentalmente à aquisição de terras e cativos, isto é, de bens que em última instância se referem ao prestígio.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Errado
Comentário do professor
Fragoso e Florentino mostram que a opção dos comerciantes por investir em terras e cativos decorre da centralidade da ascensão social na sociedade colonial: possuir propriedades agrárias e escravos era o principal indicador de prestígio.
Após acumular capital no comércio, famílias buscavam transformar riqueza financeira em capital social — terras garantiam reconhecimento, alianças matrimoniais e influência política, elementos essenciais para a reprodução da hierarquia entre gerações.
Embora menos lucrativas que o comércio, as atividades rurais e a renda rentista ofereciam estabilidade e simbolizavam status duradouro; por isso eram preferidas como estratégia de consolidação social.
Assim, a mudança não é apenas econômica, mas uma escolha orientada pela busca de prestígio e continuação do lugar da família na elite.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em