Questão FC249374
Neopatriarcalista será a visão de Sílvia Lara no livro Campos da violência, para quem Jacob Gorender reserva algumas das suas mais cáusticas considerações. (Suely Robles Reis de Qu
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2023
Neopatriarcalista será a visão de Sílvia Lara no livro Campos da violência, para quem Jacob Gorender reserva algumas das suas mais cáusticas considerações.
(Suely Robles Reis de Queiróz, Escravidão
negra em debate. Em: Marcos Cezar Freitas, Historiografia brasileira em perspectiva. Adaptado)
De acordo com Suely Queiróz, a obra de Silvia Lara
- considera que o conceito de violência é inadequado para caracterizar o escravismo, uma vez que a relação pessoal entre senhor e cativo se fazia através de mediações, em um cotidiano no qual o escravo se desdobrava em estratégias, ora de resistência, ora de acomodação.
- corrobora com as principais conclusões da nova historiografia da escravidão, surgida nos Estados Unidos logo após a Segunda Guerra, defensora da universalidade do conceito de escravidão, valendo para o Mundo Antigo e o Moderno.
- dialoga com a demografia histórica e desmonta o mito de que a maioria dos sujeitos vítimas do tráfico negreiro eram homens e de que as famílias dos escravizados eram raras nas várias regiões do Brasil, colonial ou independente.
- pondera que as relações entre senhores e escravizados detinham a essencial marca da violência e pouco restava às vítimas do escravismo colonial, além da radical ausência de direitos e os castigos físicos e culturais recorrentes.
- demonstra que as análises de Gilberto Freyre, assim como dos seus seguidores, sobre a escravidão, estão marcadas por um forte equivoco, porque o pensador pernambucano desconsiderava a importância econômica do escravismo.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A afirmação concentra a leitura de Sílvia Lara, segundo Suely Queiróz: o conceito de violência, isolado, é insuficiente para explicar o escravismo, porque a relação senhor–cativo era atravessada por mediações cotidianas que modulavam conflitos e domínios de poder.
Essas mediações envolvem práticas de troca, favores, regras locais e negociações jurídicas e sociais que introduzem espaço para a ação dos escravizados — não como vítimas passivas, mas como sujeitos com agência, capazes de elaborar estratégias ora de resistência, ora de acomodação, conforme contextos e oportunidades.
Logo, Lara não nega a presença da violência; procura complexificar sua compreensão, mostrando que o cotidiano escravista combina coerção e negociações, exigindo análises micro-históricas e relacionais.
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