Questão FC249377
Sustenta-se que as leis científicas – se tal ideia é de algum modo aceita – vigoram apenas para as categorias universais: os objetos particulares são destinados ao domínio do fortu
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2023
Sustenta-se que as leis científicas – se tal ideia é de algum modo aceita – vigoram apenas para as categorias universais: os objetos particulares são destinados ao domínio do fortuito. Como consequências práticas desta divisão, tem-se que os conceitos gerais – Estado absolutista, revolução burguesa ou Estado capitalista – tornam-se tão distantes da realidade histórica, que deixam de ter qualquer poder explicativo; enquanto os estudos particulares – confinados a áreas ou períodos delimitados – fracassam em desenvolver ou aprimorar uma teoria global.
(Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista.)
Em relação a esse debate, Perry Anderson explicita que a premissa do seu livro é que
- as transformações históricas mais importantes e que determinam inflexões para os caminhos da humanidade devem ser procuradas no campo das ideias e das práticas culturais dominantes em um demarcado tempo-espaço, evitando-se explicações embasadas nas dimensões econômica e política.
- não há nenhuma linha divisória entre necessidade e contingência na explicação histórica, separando tipos diversos de investigação – “longo prazo” contra “curto prazo”, ou “abstrato” contra “concreto” – havendo somente o que é conhecido, demonstrado pela pesquisa histórica, e o que não é conhecido, a exemplo das leis do movimento das estruturas globais.
- a pesquisa histórica deve partir dos contextos mais amplos em direção às temáticas particulares e, dessa forma, a busca da historiografia deve privilegiar os processos históricos que sejam essencialmente universais, caso das revoluções burguesas ou dos modos de produção.
- inexistem leis científicas que possam dirigir as práticas dos historiadores, porque cada acontecimento histórico é único e necessita ser compreendido em si mesmo, sem que se faça qualquer movimento no sentido de estabelecer comparações, que são provocadoras de anacronismos.
- a essencialidade da pesquisa histórica reside na compreensão, bastante contemporânea, de que a imutabilidade do passado impossibilita o historiador de chegar a qualquer conclusão definitiva sobre os significados da experiência humana ao longo dos tempos e dos espaços.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa afirma que, para Anderson, não existe uma linha divisória rígida entre necessidade e contingência na explicação histórica.
Isso significa recusar a separação metodológica entre investigações de “longo prazo” e “curto prazo”, ou entre o “abstrato” e o “concreto”. Para ele, essas dicotomias empobrecem tanto os conceitos gerais quanto os estudos particulares.
Anderson propõe que a distinção útil é outra: o que é conhecido, isto é, demonstrado pela pesquisa histórica, e o que permanece não conhecido, como alegadas leis do movimento das estruturas globais.
Assim, a premissa central é epistemológica: a validade das explicações históricas depende da demonstração empírica e teórica, não de fronteiras apriorísticas entre tipos de explicação.
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