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Questão FC249379

Muitas pessoas e mesmo, parece, certos autores de manuais fazem uma imagem surpreendentemente cândida da marcha de nosso trabalho. No princípio, diriam de bom grado, eram os docume

Historiografia e Teoria da História

VUNESP · 2023

Muitas pessoas e mesmo, parece, certos autores de manuais fazem uma imagem surpreendentemente cândida da marcha de nosso trabalho. No princípio, diriam de bom grado, eram os documentos. O historiador os reúne, lê, empenha-se em avaliar sua autenticidade. Depois do que, e somente depois, os põe para funcionar... Uma infelicidade apenas: nenhum historiador, jamais, procedeu assim. Mesmo quando, eventualmente, imagina fazê-lo.

 

(Marc Bloch. Apologia da história ou o ofício do historiador)

 

A partir da discussão do excerto, segundo Marc Bloch, é correto afirmar que

  1. a História deve se afastar da objetividade científica, considerando que a leitura do passado não tem vínculos com a contemporaneidade.
  2. a produção do conhecimento histórico deve rejeitar a subjetividade e o relativismo, com o intuito de encontrar verdades absolutas e trans-históricas.
  3. a escrita da história pós-moderna dirige sua atenção para a dissolução da forma historicista e para a “despistemologização” da consciência histórica.
  4. os textos e os documentos arqueológicos, ainda que aparentemente mais claros e complacentes, não falam senão quando o historiador sabe interrogá-los.
  5. o fazer histórico profissional atrela-se à busca por documentos oficialmente produzidos, objetivando o resgate rigoroso do passado.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Marc Bloch sustenta que documentos e vestígios arqueológicos não são fontes autoexplicativas: eles apresentam fragmentos, lacunas e viéses que não “falam” por si.

É o historiador quem, ao formular perguntas precisas e um problema de investigação, coloca essas fontes em movimento. Esse ato de interrogar envolve verificação da autenticidade, contextualização e confronto entre diferentes evidências.

Portanto, a produção do conhecimento histórico é um processo ativo: exige interpretação, crítica metodológica e escolha de enquadramentos teóricos. Só assim os documentos cedem significado e permitem reconstruir o passado.

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