Questão FC249388
Nos anos 1970, a história acadêmica entrou no campo dos estudos operários que até então estava limitado à sociologia e em menor grau à ciência política. Para isso, tiveram contribu
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2022
Nos anos 1970, a história acadêmica entrou no campo dos estudos operários que até então estava limitado à sociologia e em menor grau à ciência política. Para isso, tiveram contribuições decisivas os trabalhos desenvolvidos pelos acadêmicos americanos especializados no Brasil, conhecidos como “brasilianistas”.
[…]
Ainda na primeira metade dos anos 70, o diagnóstico feito por alguns brasilianistas sobre a situação da produção dos estudos relacionados à classe operária no Brasil, era pouco lisonjeiro, porém exato:
O início da classe operária brasileira e do movimento operário foi raramente estudado por acadêmicos e, com a exceção em parte do trabalho de Azis Simão, a literatura existente não foi baseada na pesquisa de jornais do movimento e de publicações do período. (Gordon, Hall e Spalding)
(Claudio H. M. Batalha, A historiografia da classe operária
no Brasil: trajetórias e tendências. In: Marcos Cezar de Freitas (org.),
Historiografia brasileira em perspectiva. São Paulo:
Contexto, 1998, p. 150-1)
O interesse tardio dos historiadores brasileiros pelos estudos que tratam do operariado, entre outros fatores, tem relação com
- a forte preocupação nos cursos de História com outras temas, como as minorias culturais.
- a inexistência de fontes primárias confiáveis para a realização de análises mais abrangentes.
- o contexto do regime autoritário presente no país, que impedia a plena liberdade acadêmica.
- a aversão dos cursos de Pós-Graduação em História em tratar de história social.
- a frágil presença política e social do operariado na história brasileira nas três primeiras décadas do século XX.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Certo
Comentário do professor
A opção correta aponta que o regime autoritário da época limitou a produção historiográfica sobre o operariado porque restringia a liberdade acadêmica.
Na prática, isso significou censura ideológica, vigilância de pesquisadores e controle institucional das universidades, expondo quem investigasse movimentos trabalhistas a riscos de perseguição, prisão ou perda de cargo.
Assuntos identificados como temas sensíveis sofriam com o bloqueio de recursos, dificuldades de acesso a arquivos e impedimentos para trabalho de campo, o que inviabilizou pesquisas aprofundadas.
O resultado foi a autocensura e o adiamento de investigações por parte de historiadores brasileiros, explicando o atraso na produção acadêmica sobre a classe operária.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em