Questão FC249391
A História Política tradicional passou a ser vista como retrato da ideologia dominante e ocultadora da verdadeira realidade. Contribuiu para isso a força da explicação marxista da
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2022
A História Política tradicional passou a ser vista como retrato da ideologia dominante e ocultadora da verdadeira realidade. Contribuiu para isso a força da explicação marxista da História que enfatizava a importância das estruturas econômico-sociais, bem como o papel da luta de classes como instâncias das verdades mais profundas.
Ante as antigas acusações de demasiada preocupação com o efêmero e o meramente cronológico, há uma atualização da História Política.
(Maria de Lourdes Monaco Janotti, História, política e ensino. Em: Circe Bittencourt (org), O saber histórico na sala de aula. Adaptado)
Para Janotti, a proposta da atual História Politica deve
- reconhecer que os modelos de organização política existentes durante a Baixa Idade Média eram mais eficientes para controlar as rebeliões camponesas e urbanas na Europa Ocidental.
- centrar as análises e reflexões nos eventos mais contemporâneos de cada estado brasileiro, caso das disputas eleitorais, com o intuito de valorizar o federalismo e as práticas regionalistas.
- recuperar as premissas do racionalismo positivista, instrumento teórico-metodológico que permite a compreensão e devida valorização do espaço privado em detrimento do espaço público.
- desenvolver análises combináveis entre seus vários ritmos – o instantâneo e o lento – e seus aspectos contínuos e descontínuos, considerando-se, ainda, a teoria do tempo histórico da curta, média e longa duração.
- privilegiar a história da formação dos Estados Nacionais Modernos, destacando seus principais dirigentes e comparando com as formas primitivas de organização política presentes na Antiguidade Clássica.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Janotti propõe que a História Política atual supere a visão meramente cronológica ao articular diferentes escalas temporais e modos de mudança. Deve-se combinar os vários ritmos — o instantâneo e o lento — para captar tanto acontecimentos pontuais quanto processos estruturais duradouros.
Isso exige reconhecer aspectos contínuos (linhas de persistência institucional e social) e descontínuos (rupturas, crises, revoluções) e situá‑los em relação às durações histórica de curta, média e longa. Assim, eventos imediatos ganham sentido quando vinculados a estruturas mais amplas.
Na prática, a proposta amplia o repertório explicativo da História Política: integra análise de ações e de estruturas, sincronia e diacronia, e favorece interpretações mais complexas e contextualizadas — essenciais para o ensino crítico da disciplina.
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