Questão FC249396
I. Declarava, em 1933, em voz alta que o Brasil não era uma nação branca que tinha negros. O negro estava em todos nós e sem o negro não teria havido nem havia o Brasil. Éramos tod
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2022
I.
Declarava, em 1933, em voz alta que o Brasil não era uma nação branca que tinha negros. O negro estava em todos nós e sem o negro não teria havido nem havia o Brasil. Éramos todos mestiços, na cultura. E era a cultura o que importava, a cultura que movimentava a nossa mente e o nosso corpo e não a cor da pele ou a textura dos cabelos. Tão intensa fora a nossa mestiçagem cultural, que era quase impossível medir-se, sobretudo no cotidiano doméstico, o que se devia ao ameríndio, ao africano e ao europeu.
II.
Ressaltava a indecisão da Ibéria entre a Europa e a África muçulmana. Considerava que os ibéricos se desenvolviam à margem da Europa e das mudanças que se processavam em suas formas de vida social. Ele discorda fundamentalmente de Capistrano de Abreu: tinha sido um mal que o país tivesse sido construído do interior para a costa, contra as cidades que representavam a metrópole. Entre outras razões, porque a família patriarcal dos sertões tornara-se mais forte do que o Estado. Por isso mesmo, acentuou-se no Brasil a propensão lusitana para confundir os domínios do privado e do público, este constantemente invadido por aquele.
(Alberto Costa e Silva, Quem fomos nós no século XX: as grandes interpretações do Brasil. Em: Carlos Guilherme Mota (org.), Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000): a grande transação. Adaptado)
Os excertos I e II, respectivamente, tratam de
- Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda.
- Caio Prado Júnior e Paulo Prado.
- Raymundo Faoro e Darci Ribeiro.
- Florestan Fernandes e Artur Ramos.
- Alberto Torres e Oliveira Viana.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Gilberto Freyre corresponde ao excerto I. Sua interpretação, especialmente em Casa-Grande & Senzala, valoriza a mestiçagem cultural como núcleo da identidade brasileira: a presença africana e indígena integrada ao europeu gera uma cultura híbrida em que “o negro estava em todos nós”. Freyre prioriza os fatores culturais e afetivos na formação social, mais que traços raciais isolados.
Sérgio Buarque de Holanda corresponde ao excerto II. Em Raízes do Brasil ele analisa a influência ibérica, a família patriarcal e a tendência a confundir público e privado, vinculando essa herança à fragilidade das instituições e ao caráter social do brasileiro.
As duas leituras são complementares para compreender a formação brasileira: Freyre no campo cultural, Buarque no campo das mentalidades e das instituições.
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