Questão FC249398
Escolhi meu tema como um tributo a Isaac Deutscher, cuja obra mais permanente é um clássico na história da Revolução Russa, ou seja, sua biografia de Trotsky. Assim, a resposta ime
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2022
Escolhi meu tema como um tributo a Isaac Deutscher, cuja obra mais permanente é um clássico na história da Revolução Russa, ou seja, sua biografia de Trotsky. Assim, a resposta imediata a essa pergunta do título [Podemos escrever a história da Revolução Russa?] é, obviamente, sim.
Mas isso deixa em aberto a questão mais ampla: podemos algum dia escrever a história definitiva de alguma coisa – não apenas a história conforme vista hoje, ou em 1945 – inclusive, é claro, da Revolução Russa? Nesse caso, em um sentido óbvio, a resposta é não, a despeito do fato de que há uma realidade histórica objetiva, que os historiadores investigam, para estabelecer, entre outras coisas, a diferença entre fato e ficção. Somos livres para crer que Hitler fugiu dos russos e se refugiou no Paraguai, mas não foi assim.
(Eric Hobsbawm, Sobre história)
Para Eric Hobsbawm, não é possível “escrever a história definitiva de alguma coisa”, porque
- a história é uma ciência preocupada com os grandes acontecimentos da humanidade, e esta escolha impede a reconstrução do passado.
- a construção da narrativa histórica utiliza-se dos princípios teóricos importados das ciências naturais e do idealismo hegeliano.
- cada geração faz suas próprias perguntas novas sobre o passado, além disso, há uma acumulação quase infinita de registros públicos e privados.
- a plena reconstituição do passado das sociedades humanas é possível, mas os historiadores são incapazes de manter a neutralidade nas suas análises.
- os acontecimentos do passado, a rigor, existem apenas como um exercício de especulação por parte de pesquisadores e historiadores.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Certo: a expressão destaca que a história não é um relato fixo porque cada geração aborda o passado com novas perguntas — interesses, problemas e perspectivas mudam ao longo do tempo, produzindo interpretações distintas mesmo sobre os mesmos fatos.
Além disso, existe uma acumulação quase infinita de registros públicos e privados: novas fontes, documentos e testemunhos surgem ou são descobertos, e métodos de investigação evoluem, o que amplia continuamente o material a ser considerado.
Por isso, apesar de haver uma realidade histórica objetiva, não se alcança uma versão definitiva; a história permanece aberta à reinterpretação e ao reexame à medida que mudam perguntas e aumentam as fontes.
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