Questão FC249399
A história é um discurso mutável e problemático – ostensivamente a respeito de um aspecto do mundo, o passado –, produzido por um grupo de trabalhadores cujas mentes são de nosso t
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2022
A história é um discurso mutável e problemático – ostensivamente a respeito de um aspecto do mundo, o passado –, produzido por um grupo de trabalhadores cujas mentes são de nosso tempo (em grande maioria, em nossa cultura, historiadores assalariados) e que fazem seu trabalho em modalidades mutuamente reconhecíveis que são posicionadas epistemológica, ideológica e praticamente; e cujos produtos, uma vez em circulação, estão sujeitos a uma série de usos e abusos logicamente infinitos mas que, na realidade, correspondem a uma variedade de bases de poder existentes em qualquer momento que for considerado, as quais estruturam e distribuem os significados das histórias ao longo de um espectro que vai do dominante ao marginal.
(Keith Jenkins, Re-thinking History. Apud Ciro Flamarion Cardoso, Introdução. Em: Ciro Flamarion Cardoso e Ronaldo Vainfas (org.), Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia)
No excerto, Keith Jenkins
- define o que seria a história-disciplina no interior do paradigma pós-moderno.
- explicita os limites de uma história baseada em análises quantitativas.
- entende que cabe ao historiador a busca incessante do verdadeiro passado.
- defende que o trabalho do historiador deve ser pautado pela neutralidade ideológica.
- reconhece que a história precisa de modelos construídos pelas ciências naturais.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O excerto de Keith Jenkins caracteriza a história como uma construção discursiva produzida por agentes situados no seu tempo, com posições epistemológicas e ideológicas reconhecíveis.
Ao enfatizar a mutabilidade dos relatos, a dependência de práticas profissionais e a circulação sujeita a usos e relações de poder, Jenkins desloca a ideia de uma verdade histórica única.
Isso corresponde ao paradigma pós-moderno, que vê a história-disciplina como campo interpretativo, plural e contingente, em que narrativas competem e são socialmente construídas.
Assim, a alternativa aponta corretamente que o autor define a natureza da disciplina histórica dentro desse enquadramento crítico e reflexivo.
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