Questão FC249400
Em seu livro A Construção da Ordem, José Murilo de Carvalho propõe uma explicação que dá peso maior à natureza da elite política imperial, que teria tido melhores condições de enfr
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2022
Em seu livro A Construção da Ordem, José Murilo de Carvalho propõe uma explicação que dá peso maior à natureza da elite política imperial, que teria tido melhores condições de enfrentar com êxito a tarefa de construir o Estado nacional, por ser bastante homogênea. Essa homogeneidade resultaria, principalmente, da educação e da profissão comuns. A maioria dos membros da elite era formada por gente que tinha educação de nível superior. Esse fato constituía, na opinião de José Murilo, um elemento poderoso de unificação ideológica por três razões. Em primeiro lugar, como muito poucas pessoas tinham instrução, a elite era uma ilha de letrados em um mar de analfabetos. Em segundo lugar, porque a educação superior se concentrava nos estudos jurídicos e fornecia assim um núcleo homogêneo de conhecimentos e habilidades. Em terceiro lugar, porque as faculdades de direito se resumiam, até a Independência, aos cursos da Universidade de Coimbra e, depois, às Faculdades de São Paulo e Olinda/Recife. A concentração geográfica e a identidade de formação intelectual promoviam contatos pessoais entre estudantes de várias capitanias e províncias. Incutia neles uma ideologia comum, dentro do estrito controle a que as escolas superiores eram submetidas pelos governos, tanto de Portugal como do Brasil.
(Boris Fausto, História do Brasil)
No excerto, há uma posição historiográfica sobre a razão pela qual
- a província de São Paulo organizou e dirigiu o processo de emancipação política do Brasil.
- o desenvolvimento manufatureiro foi débil e a agricultura de exportação tornou-se a principal fonte de renda.
- a monarquia ficou caracterizada por defender a plena cidadania política, inclusive com o sufrágio universal.
- o Brasil imperial manteve-se neutro em relação aos conflitos diplomáticos na América do Sul.
- o Brasil não se fragmentou e manteve a unidade territorial que vinha dos tempos coloniais.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O excerto sustenta que o Brasil não se fragmentou porque uma elite homogênea conduziu a construção do Estado nacional.
Essa homogeneidade decorreu de três fatores: a condição de ilha de letrados numa população majoritariamente analfabeta, a formação concentrada em faculdades de Direito (núcleo comum de saberes) e a concentração geográfica das escolas superiores (Coimbra; depois São Paulo e Olinda/Recife).
Esses elementos geraram contatos pessoais entre estudantes de várias províncias e uma ideologia comum, reforçada pelo controle estatal sobre o ensino.
Como consequência, a elite compartilhou um projeto político unitário capaz de criar instituições nacionais e preservar a unidade territorial herdada do período colonial.
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