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Questão FC249406

Joaquim Norberto e Lúcio dos Santos […] embora divergentes em suas interpretações quanto aos papéis dos agentes, intensidade e objetivos do movimento, inauguraram o exame do tema p

Historiografia e Teoria da História

VUNESP · 2022

Joaquim Norberto e Lúcio dos Santos […] embora divergentes em suas interpretações quanto aos papéis dos agentes, intensidade e objetivos do movimento, inauguraram o exame do tema preservando um tipo de construção narrativa baseada nos procedimentos instituídos no processo judicial. Prisioneiros dessa lógica, procuraram estabelecer os antecedentes (contexto do crime); a prioridade na ideia (principal culpado); a conspiração (planos e ações imediatas); o programa de ação e natureza da transformação (natureza do crime); os agentes (cúmplices); a traição (denúncia e indiciamento) e a repressão (prisão, inquérito e condenação).

 

(João Pinto Furtado, Imaginando a nação: o ensino de história da Inconfidência Mineira na perspectiva da crítica historiográfica. Em: Lana Mara de Castro Siman e Thais Nívia de Lima e Fonseca (orgs), Inaugurando a História e construindo a nação; discursos e imagens no ensino de História)

 

Para João Pinto Furtado, a adoção de tal sistema interpretativo

  1. mostra que esses historiadores entendem que a Conjuração Mineira deve ser analisada como um processo revolucionário que, embora abortado pelas autoridades coloniais, pretendia abolir a escravidão e instalar indústrias em várias capitanias.
  2. reduziu a Inconfidência Mineira a um movimento de criminosos e não de rebeldes, porque os dois pesquisadores não souberam relativizar as acusações irreais e exageradas, presentes nos autos da devassa.
  3. fez com que esses dois autores se tornassem tributários de uma lógica jurídica que, por natureza intrínseca, não dá conta da diversidade de interesses e concepções possivelmente presentes no movimento de Minas.
  4. traz a vantagem de oferecer uma série de dados que podem ser fonte de novas leituras historiográficas, mas também há um forte limite, pois esses ensaístas tratam o movimento sob o ponto de vista do neopositivimo histórico.
  5. revela que o movimento rebelde da elite mineira, associada a parcelas das classes médias, projetava a restauração da ordem política que existia antes da chegada do novo governador, o visconde de Barbacena.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Ao afirmar que esses autores ficaram tributários de uma lógica jurídica, João Pinto Furtado critica o enquadramento explicativo que privilegia o modelo do processo penal: antecedentes, culpa principal, conspiração, denúncia e repressão.

Esse esquema impõe uma leitura linear e teleológica, centrada em provas, responsabilizações e figuras individuais, o que tende a reduzir o movimento a uma sequência de atos criminosos.

Por natureza intrínseca, a lógica jurídica busca singularidade e certeza, negligenciando a coexistência de interesses sociais, econômicos e ideológicos, redes informais e disputas internas.

Assim, Norberto e Lúcio, ao adotarem procedimentos dos autos da devassa, acabaram por limitar a compreensão da complexidade e diversidade presentes na Inconfidência Mineira.

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