Questão FC249413
As fontes audiovisuais e musicais ganham crescentemente espaço na pesquisa histórica. Do ponto de vista metodológico, são vistas pelos historiadores como fontes primárias novas, de
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2020
As fontes audiovisuais e musicais ganham crescentemente espaço na pesquisa histórica. Do ponto de vista metodológico, são vistas pelos historiadores como fontes primárias novas, desafiadoras, mas seu estatuto é paradoxal. Por um lado, as fontes audiovisuais (cinema, televisão e registros sonoros em geral) são consideradas por alguns, tradicional e erroneamente, testemunhos quase diretos e objetivos da história, de alto poder ilustrativo, sobretudo quando possuem um caráter estritamente documental, qual seja, o registro direto de eventos e personagens históricos. Por outro lado, as fontes audiovisuais de natureza assumidamente artística (filmes de ficção, teledramaturgia, canções e peças de teatro) são percebidas muitas vezes sob o estigma da subjetividade absoluta, impressões estéticas de fatos sociais objetivos que lhes são exteriores.
(Marcos Napolitano, A História depois do papel. Em: Carla Bassanezi Pinsky (org.), Fontes históricas)
Acerca dessa discussão, Napolitano entende que o historiador deve considerar as fontes audiovisuais e musicais
- um caminho a ser evitado pelos pesquisadores porque oferece mais incertezas do que realidades comprováveis.
- um corpo documental tão específico que o seu uso deve se limitar aos estudos sobre a História da Cultura.
- um outro tipo qualquer de documento histórico, portadoras de uma tensão entre evidência e representação.
- um recurso que necessita ser utilizado em contextos nos quais não existem outras fontes confiáveis disponíveis.
- um canal de informações essencial para que o historiador possa desvendar a verdade histórica.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Fontes audiovisuais e musicais são, para Napolitano, reconhecidas como documento histórico — mas com uma especificidade: carregam uma tensão entre evidência e representação.
Isso significa que, embora possam oferecer evidências (imagens, sons, registros de eventos), essas evidências já vêm mediadas por escolhas técnicas, estéticas e discursivas que constituem a representação do real.
Do ponto de vista metodológico, o historiador deve submetê‑las a um tratamento metodológico: analisar autoria, contexto de produção, linguagem audiovisual (mise‑en‑scène, montagem, trilha), intencionalidade e enquadramento, e confrontá‑las com outras fontes.
Assim, são fontes válidas e frutíferas, porém não neutras; sua utilidade depende da decodificação crítica e da contextualização para transformar representação em evidência histórica.
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