Questão FC249419
Até algum tempo atrás, era comum que as pessoas se referissem à chegada dos portugueses ao continente americano em 1 500 como o “Descobrimento do Brasil”. Essa expressão era encont
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2019
Até algum tempo atrás, era comum que as pessoas se referissem à chegada dos portugueses ao continente americano em 1 500 como o “Descobrimento do Brasil”. Essa expressão era encontrada inclusive em muitos livros didáticos de História. Mas, seria possível que os portugueses tivessem descoberto um lugar que já existia e que já era habitado?
Dessa maneira, quando começou a se pensar no ponto de vista (ou perspectiva) dos povos indígenas que ali viviam, essa expressão passou a ser criticada. Afinal, apenas para os portugueses tratava-se de um descobrimento. Essa era a visão deles, permeada por uma concepção de mundo essencialmente etnocêntrica. É mais prudente se falar de um “encontro de dois mundos”, expressão proposta pelo historiador Ronaldo Vainfas.
Essa é uma das razões pelas quais o historiador poderá encontrar diversas versões sobre um mesmo fato ou acontecimento. Entretanto, existem outras razões para o surgimento de diversas versões (ou histórias) sobre um mesmo tema [...]
(Flávio Berutti e Adhemar Marques, Ensinar e aprender história)
O texto citado aponta como uma outra razão
- a imutabilidade do passado, condição que não permite a sua releitura.
- as fontes históricas encontradas e selecionadas, e a diversidade dessas fontes.
- o reconhecimento da neutralidade como fundamental no trabalho do historiador.
- a preocupação contemporânea com a busca da verdade histórica.
- a ausência de rigor metodológico dos historiadores do século XIX e começo do XX.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A escolha de uma versão histórica depende diretamente das fontes históricas que o pesquisador encontra, seleciona e interpreta. Diferentes tipos de fonte — documentos escritos, relatos orais, achados arqueológicos, iconografia — oferecem evidências distintas e, muitas vezes, visões conflitantes sobre o mesmo fato.
O processo de seleção implica critérios metodológicos e culturais: o que é preservado, o que se considera relevante e como se lê cada testemunho. Essas decisões geram narrativas variadas porque cada fonte carrega limitações, silêncios e perspectivas próprias.
Nas últimas décadas, a ampliação da diversidade de fontes (por exemplo, inclusão de relatos indígenas e dados arqueológicos) permitiu reinterpretar episódios como o chamado “descobrimento”, promovendo leituras mais plurais — como a ideia de encontro de dois mundos.
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