Questão FC249421
A história faz-se com documentos escritos, sem dúvida. Quando estes existem. Mas pode fazer-se, deve fazer- se sem documentos escritos, quando não existem. Com tudo o que a habilid
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2019
A história faz-se com documentos escritos, sem dúvida. Quando estes existem. Mas pode fazer-se, deve fazer- se sem documentos escritos, quando não existem. Com tudo o que a habilidade do historiador lhe permite utilizar para fabricar o seu mel, na falta das flores habituais. Logo, com palavras. Signos. Paisagens e telhas. Com as formas do campo e das ervas daninhas. Com eclipses da lua e a atrelagem dos cavalos de tiro. Com os exames de pedras feitas pelos químicos. Numa palavra, com tudo o que, pertencendo ao homem, depende do homem, serve o homem. Exprime o homem, demonstra a presença, a atividade, os gostos e a maneira de ser do homem.
(Lucien Febvre apud Flávio Berutti e Adhemar Marques,
Ensinar e aprender história)
O excerto mostra a produção historiográfica
- da chamada Escola dos Annales, que ampliou a noção de fonte histórica e tem interesse em vestígios e registros do que revela informações sobre a atividade humana.
- da Escola Metódica, que defende a neutralidade do pesquisador diante dos documentos, preferencialmente inéditos e oficiais.
- da Corrente Neopositivista, que alargou o estatuto científico dos conhecimentos históricos, desde que o passado seja reproduzido com perfeição.
- da Escola Historicista, que preconiza o uso exclusivo de documentos escritos e combate o uso de conceitos externos aos conhecimentos históricos.
- do Materialismo Histórico, que relaciona o desenvolvimento das culturas humanas às formas de funcionamento das instituições políticas.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O excerto corresponde à postura da Escola dos Annales, personificada por Lucien Febvre, que propõe ampliar o campo da investigação histórica além dos documentos oficiais.
Ao enumerar "palavras, signos, paisagens e telhas" e mencionar exames químicos e eclipses, o texto sinaliza a ampliação da noção de fontes: não só textos, mas vestígios materiais, paisagens, condições naturais e dados científicos servem para inferir práticas e mentalidades humanas.
Essa abordagem exige interdisciplinaridade e sensibilidade interpretativa: o historiador reconstrói processos sociais combinando evidências variadas quando faltam registros escritos.
Portanto, o excerto ilustra claramente o interesse dos Annales por vestígios que revelem a atividade humana, justificando a escolha correta.
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