Questão FC249426
A historiografia brasileira tradicional, pautada na concepção positivista, que privilegiou a ação dos “heróis nacionais”, em detrimento de outros sujeitos históricos, teve respaldo
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2019
A historiografia brasileira tradicional, pautada na concepção positivista, que privilegiou a ação dos “heróis nacionais”, em detrimento de outros sujeitos históricos, teve respaldo na política de preservação patrimonial em nosso país. Elegemos, no decorrer da História, os bens culturais representativos dos segmentos dominantes, sobretudo os ligados ao elemento de origem europeia, e relegamos ao esquecimento a contribuição de outros segmentos étnicos na formação da cultura brasileira.
[Ricardo Oriá. Memória e ensino de história.
Em Circe Bittencourt (org). O saber histórico na sala de aula]
Segundo o fragmento citado, é correto afirmar que
- as classes dominantes brasileiras buscaram, através da valorização de toda a diversidade étnica brasileira, considerar na escolha dos patrimônios a valorização da pluralidade do país.
- a formação do patrimônio histórico nacional, na maioria das vezes, acompanha uma perspectiva histórica, que prioriza a visão eurocêntrica e branca em detrimento de outros sujeitos históricos.
- a relação entre o patrimônio nacional e o estudo da História é inexistente na perspectiva positivista, uma vez que a valorização de outros segmentos étnicos constitui a base dessa concepção.
- os historiadores positivistas brasileiros compreenderam, ainda no início do século XX, que as contribuições negras e indígenas deveriam ser consideradas na escolha dos bens culturais nacionais.
- o ensino sobre o patrimônio histórico brasileiro deve priorizar os chamados “heróis nacionais”, como forma de valorizar segmentos historicamente marginalizados pela memória oficial do Brasil.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B está correta porque retoma a crítica do texto à historiografia positivista que privilegiou os heróis nacionais e a visão das elites.
Essa visão influenciou a seleção do patrimônio histórico: bens ligados à cultura europeia e à elite foram erguidos como símbolos nacionais, enquanto expressões culturais de outros grupos foram pouco reconhecidas institucionalmente.
O processo administrativo e simbólico de preservação, portanto, seguiu uma perspectiva eurocêntrica e branca, centando narrativas que reforçam poder e prestígio de determinados grupos.
Como consequência, contribuições de segmentos étnicos diversos — indígenas, africanos e populares — foram muitas vezes relegadas ao esquecimento, confirmando a afirmação da alternativa.
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