Questão FC249427
Para além de certa vertigem populista, a História Cultural procura hoje revisitar o lado mais fraco da produção da cultura: o da recepção anônima da cultura ordinária da criativida
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2019
Para além de certa vertigem populista, a História Cultural procura hoje revisitar o lado mais fraco da produção da cultura: o da recepção anônima da cultura ordinária da criatividade (ou passividade) das pessoas comuns. O que temos então é o deslocamento do foco da análise cultural do campo da produção para o campo da recepção, do consumo ou dos chamados usos sociais da imagem. O foco analítico se desloca para acompanhar como as inovações tecnológicas da mídia (rádio, televisão, videocassete, multimídia, etc) se inserem no cotidiano improvisado dos grupos sociais, como se dá a relação dos receptores com essas formas culturais eletrônicas ou como interagem “textos” e “leitores”.
[Elias Thomé Saliba. Experiências e representações sociais:
reflexões sobre o uso e o consumo das imagens.
Em Circe Bittencourt (org). O saber histórico na sala de aula]
A respeito da discussão feita pelo autor, sugere-se, entre outros pontos, que
- o foco de análise da História Cultural, em um contexto de grande disseminação e produção de informação em diferentes suportes, deve considerar a recepção e a interação desse conteúdo por diversos grupos sociais.
- o foco analítico dos estudiosos da História da Cultura deve se ater aos produtores de conteúdos informativos nas plataformas virtuais de comunicação, ao invés de considerar os receptores desses conteúdos.
- as inovações tecnológicas não transformaram o campo de estudo da História Cultural, uma vez que, por conta dessas inovações, não houve modificação na forma de interação entre o emissor e o receptor.
- a vertigem populista da História Cultural direcionou o foco analítico para a produção de informação, vista como um exemplo de manipulação por parte de grandes grupos midiáticos.
- o enfoque analítico da História Cultural, em um contexto de disseminação da informação em plataformas colaborativas, que reproduz de forma populista e superficial, a relação entre o produtor e o receptor da informação.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que a História Cultural desloca o foco do estudo da mera produção para a recepção e a interação dos conteúdos culturais.
Isso significa analisar como as pessoas comuns incorporam, apropriam e transformam imagens e mensagens vindas de diferentes suportes — rádio, televisão, vídeo, mídias digitais — nos seus usos cotidianos.
Observar a recepção permite entender processos de circulação, ressignificação e resistência cultural, revelando práticas e sentidos que não aparecem ao olhar centrado apenas nos produtores.
Portanto, em contextos de ampla difusão informacional, é imprescindível considerar as desigualdades, os contextos sociais e as formas de engajamento dos diversos grupos sociais frente às inovações tecnológicas e seus usos sociais.
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