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Questão FC249428

Podemos dizer que todos esses documentos são obras humanas, não sendo possível, segundo Bakhtin, lê-los ou compreendê-los como simples objetos ou coisas que exemplificam contextos.

Historiografia e Teoria da História

VUNESP · 2019

Podemos dizer que todos esses documentos são obras humanas, não sendo possível, segundo Bakhtin, lê-los ou compreendê-los como simples objetos ou coisas que exemplificam contextos. Nos documentos existem sujeitos que falam e que constroem sentidos específicos para a realidade retratada, através de estilos comuns às suas épocas, de formas, de contornos e de materialidades que são, simultaneamente, originais.

 

[Antonia Terra. História e dialogismo. Em Circe Bittencourt (org).

O saber histórico na sala de aula]

 

 

A partir do excerto e do artigo, é correto afirmar que

  1. o sentido original dos documentos não sofre mudanças ao longo do processo histórico e de interação dos sujeitos em diferentes contextos.
  2. os documentos para os estudiosos da História precisam ser analisados exclusivamente pelos sujeitos sociais do período em que foi produzido.
  3. os documentos para Bakhtin são caracterizados por sentidos uniformes independentemente das inúmeras leituras feitas no presente ou posteriormente.
  4. os documentos analisados por Bakhtin devem ser considerados como uma realidade retratada que exemplifica um contexto estabilizado em seu sentido.
  5. os documentos devem ser considerados simultaneamente originais e mutáveis a partir da interferência dos sujeitos em constante diálogo através do tempo.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa está correta porque, para Bakhtin, o documento não é um objeto neutro, mas uma obra humana inserida em um contexto específico que carrega voz, intenção e forma.

Chamar os documentos de originais reconhece sua materialidade, estilo e particularidade histórica; chamá‑los de mutáveis reconhece que o sentido é reconstruído quando outros sujeitos, em diferentes tempos, entram em diálogo com eles.

Na prática, isso exige do historiador/educador uma leitura crítica: identificar as marcas de origem, situar o documento historicamente e admitir que interpretações posteriores acrescentam sentidos sem apagar a originalidade primeira.

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