Questão FC249436
“Quem trabalha é que tem razão,/ eu digo e não tenho medo de errar! O bonde São Januário/ leva mais um operário/ sou eu que vou trabalhar.” – Ataulfo Alves e Wilson Batista, O bond
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2019
“Quem trabalha é que tem razão,/ eu digo e não tenho medo de errar! O bonde São Januário/ leva mais um operário/ sou eu que vou trabalhar.” – Ataulfo Alves e Wilson Batista, O bonde de São Januário, 1940.
“Eu sou o Getúlio, já fui ditador,/ Eu sou trapaceiro, eu sou gozador/ Meti o papo no trabalhador/ com o voto dos trouxas/ eu sou senador! Minha galera/ em quinze anos de navegação/ trouxe a miséria/ o câmbio negro e a inflação”. Paródia da marchinha “Pirata da Perna de Pau”, 1947.
É correto afirmar que essas canções (citadas por Ivan Ângelo. In: Caldeira (org), Brasil, História contada por quem viu) expressam dois momentos históricos:
- realidades semelhantes da vida política e cultural de São Paulo e que foram enredos da escola de samba.
- consciência cultural da classe operária brasileira e ironia social em tempo de crise econômica nacional.
- manifestação operária por conquistas trabalhistas e deboche à impunidade das leis para com os políticos brasileiros.
- apologia ao trabalho por um governo ditatorial e abertura política com denúncia de práticas governistas.
- satisfação dos operários para com o regime de trabalho e sarcasmo diante da ingenuidade cultural da população nacional.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O primeiro trecho, de 1940, celebra o trabalho e o operário — expressando uma apologia ao trabalho alinhada à retórica do Estado Novo. Nesse período, o governo de Getúlio Vargas promovia iniciativas trabalhistas e projetos de modernização como forma de legitimação autoritária; a música incorpora esse discurso oficial que enaltece o trabalhador dentro de um contexto de governo ditatorial.
O segundo trecho, de 1947, é uma paródia satírica que acusa diretamente Getúlio: chama-o de tirano, enganador e responsável por miséria, câmbio negro e inflação. Esse tipo de composição só se torna possível com a abertura política pós-1945, quando a redemocratização permitiu críticas públicas.
Assim, as canções revelam dois momentos distintos: propaganda laboral do regime autoritário e, depois, a crítica pública permitida pela nova fase política.
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