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Questão FC249440

“(...) procuraremos dar uma notícia mais especificada da situação em que foram encontradas as gentes que habitavam o Brasil; isto é, uma ideia de seu estado, não podemos dizer de c

Historiografia e Teoria da História

VUNESP · 2019

“(...) procuraremos dar uma notícia mais especificada da situação em que foram encontradas as gentes que habitavam o Brasil; isto é, uma ideia de seu estado, não podemos dizer de civilização, mas de barbárie e de atraso. De tais povos na infância não há historia: ha só ethnographia. A infância da humanidade na ordem moral, como a do indivíduo na ordem física, é sempre acompanhada de pequenez e de misérias. (...) ” – Francisco Varnhagen. História geral do Brasil, 1857. (Apud John Monteiro. In: Silva & Grupioni. A temática indígena na escola, 1995.)

 

O autor expressa:

  1. o pensamento europeu que defendia os estudos etnográficos para a compreensão dos povos americanos, e entender sua pequenez, miséria e sua corrupção cultural nos trópicos.
  2. ideias da elite intelectual brasileira, que defendia a miscigenação das raças, negando estudos sobre os indígenas, por serem vistos como bárbaros e com poucos contatos com negros e brancos.
  3. o pensamento de que não cabia ao historiador os estudos dos povos nativos do Brasil, já que eram classificados como pertencentes à fase da infância da humanidade, portanto eram povos sem história.
  4. o esforço por dar notícia dos povos pré-históricos, bárbaros e atrasados, sem civilização, que viveram no território brasileiro na antiguidade remota, correspondendo ao início da humanidade.
  5. a apreensão com a ordem moral e física dos primeiros habitantes do Brasil, já que era necessário induzi-los a superar o estado de barbárie e de ausência de princípios civilizatórios.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa expressa que Varnhagen considerava os indígenas como pertencentes à “infância da humanidade”, ou seja, sociedades que não teriam desenvolvimento histórico pleno.

Ao afirmar “de tais povos na infância não há historia: ha só ethnographia”, ele diferencia história (processos e agentes sociais vistos como civilizados) de etnografia (descrição de povos considerados pré-históricos).

Na prática, isso nega aos indígenas o estatuto de sujeitos históricos e justifica sua exclusão das narrativas históricas formais, subordinando-os ao campo das ciências naturais e desqualificando suas experiências e transformações sociais.

Trata‑se, portanto, de um posicionamento alinhado ao discurso evolucionista e eurocêntrico do século XIX, com implicações metodológicas e políticas para a historiografia brasileira.

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