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Questão FC249447

É inegável que a riqueza de abordagens presentes na literatura europeia e norte-americana, especializada no estudo da cartografia histórica, muito tem contribuído para esse despert

Historiografia e Teoria da História

VUNESP · 2019

É inegável que a riqueza de abordagens presentes na literatura europeia e norte-americana, especializada no estudo da cartografia histórica, muito tem contribuído para esse despertar. Entretanto, imputar-lhe total responsabilidade pelo fascínio que mapas e cartas antigas têm exercido sobre uma fração significativa dos estudiosos das ciências humanas, para ficarmos apenas neste campo do saber cientifico, equivaleria a desprezar a força de variáveis sócio-políticas e culturais no processo de valorização deste objeto de análise que, em muitos casos, também nos apresenta como uma fonte de pesquisa histórica extremamente fértil.

 

[Maria Eliza Linhares Borges. Cartografia, poder e imaginário:

cartográfica portuguesa e terras de além-mar. Em Lana Mara de

Castro Siman e Thais Nívia de Lima e Fonseca (org).

Inaugurando a História e construindo a nação.

Discursos e imagens no ensino de História, 2001]

 

De acordo com o excerto, a cartografia histórica é

  1. um recurso considerado universalizante para a compreensão de fenômenos históricos produzidos de maneira neutra.
  2. parte da problemática acerca do discurso renovador das ciências humanas ao tentar impor uma narrativa desprovida de contexto.
  3. produzida em contextos que devem ser problematizados pelos pesquisadores como forma de ampliar e valorizar essa linguagem.
  4. alvo de discursos entusiasmados por parte da pesquisa histórica desde que considerada como linha auxiliar da historiografia.
  5. um recurso das ciências humanas adaptadas à especificidade dessa linguagem para contrapor-se à chamada história tradicional.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa indica que a cartografia histórica é produzida em contextos que precisam ser problematizados pelos pesquisadores. Isso significa reconhecer que mapas e cartas não surgem neutros: trazem intenções, interesses e convenções vinculadas a fatores sócio‑políticos e culturais.

Problematizar o contexto implica investigar quem encomendou ou desenhou o mapa, para que fins, e sob quais pressupostos geográficos e políticos. Essa atitude crítica amplia a leitura do documento e evita interpretações anacrônicas ou superficiais.

Ao valorizar essa abordagem contextualizada, o pesquisador transforma a cartografia em uma fonte histórica fértil, capaz de revelar discursos de poder, estratégias de representação e práticas culturais, enriquecendo a compreensão do passado.

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