Questão FC249450
[...] a produção historiográfica sobre o período colonial não conheceu, durante a década de 60, obras particularmente significativas no tocante às abordagens de história da cultura
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2019
[...] a produção historiográfica sobre o período colonial não conheceu, durante a década de 60, obras particularmente significativas no tocante às abordagens de história da cultura.
[Laura de Mello e Souza, Aspectos da historiografia da cultura sobre o
Brasil Colonial. Em: Marcos Cezar de Freitas (org.).
Historiografia brasileira em perspectiva, 1998]
Para Laura de Mello e Souza, tal ocorrência pode ter relação com
- a aproximação teórico-metodológica da História com as outras Ciências Humanas, em especial a Antropologia, decorrendo assim uma inibição nas pesquisas que não fossem sobre as condições materiais reais.
- as diretrizes das agências de financiamento de pesquisas, como a Capes e o CNPq, interessadas em diagnosticar os limites do desenvolvimento econômico nacional e as desigualdades regionais.
- uma conjuntura histórica de resistência contra a ordem autoritária, contra a qual as Ciências Humanas estiveram mais atentas às formas de luta política ou do funcionamento da economia.
- a formação de universidades públicas voltadas para o ensino e a pesquisa em Ciência e Tecnologia, e com pequena dedicação aos clássicos conhecimentos das Ciências Humanas.
- um movimento cultural mais amplo que defendia um conhecimento histórico essencialmente pautado em documentos oficiais, condição que inviabilizou pesquisas sobre os aspectos culturais.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Segundo Laura de Mello e Souza, a ausência de obras significativas de história da cultura nos anos 1960 relaciona-se a uma conjuntura histórica de resistência frente à ordem autoritária.
Nesse contexto, as Ciências Humanas direcionaram seus esforços para compreender e documentar formas de luta política e o funcionamento da economia, temas considerados urgentes tanto para a análise crítica do regime quanto para a ação política.
Havia, portanto, uma prioridade temática: investigar estruturas de poder, mobilizações sociais e questões econômicas ganhou centralidade, enquanto investigações sobre símbolos, práticas culturais e representações históricas ficaram em segundo plano.
Essa escolha reflexiva dos historiadores explica por que a história da cultura do período colonial recebeu menos atenção naquele momento.
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