Questão FC249451
A partir dos anos 50, aproximadamente, uma nova concepção revitalizou os estudos sobre a escravidão negra. Há uma renovação do interesse pela escravidão negra nos Estados Unidos, c
Historiografia e Teoria da História
VUNESP · 2019
A partir dos anos 50, aproximadamente, uma nova concepção revitalizou os estudos sobre a escravidão negra.
Há uma renovação do interesse pela escravidão negra nos Estados Unidos, com trabalhos de David Brion Davis, Charles Wagley, Boxer e Genovene, que questionaram as teses Tannebaum, Elkins e, consequentemente, Gilberto Freyre. Argumentaram que o escravismo anglo-saxônico pouco diferia daquele instituído por povos de outra origem, inexistindo um sistema mais brando que outro e sendo as variações ao longo do tempo menos significativas que os padrões subjacentes de unidade.
[Suely Robles Reis de Queiróz, Escravidão negra em debate.
Em: Marcos Cezar de Freitas (org.). Historiografia brasileira
em perspectiva, 1998. Adaptado]
Segundo o artigo, a repercussão dessas ideias no Brasil teve como efeito
- uma mudança na historiografia da escravidão, e esta passou a ser entendida como com fundamental para se compreender o processo de acumulação do capital.
- a resistência da universidade em estudar a escravidão, o que terminou por ocorrer em centro de estudos independentes, como Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro.
- a retomada da discussão sobre a importância do uso da mão de obra indígena na formação do imaginário nacional e as decorrências negativas da escravidão africana.
- a revalorização das teses sobre como se deveria fazer a História do Brasil, construída, no século XIX, pelo Colégio Dom Pedro II.
- a elaboração de teorias que mostravam a especificidade da exploração do trabalho cativo no Brasil, em especial porque havia certa docilidade na relação senhor-escravo.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa aponta para uma ruptura historiográfica: os estudos pós‑1950 deslocaram o foco da escravidão de explicações culturalistas para uma leitura de caráter econômico e estrutural.
Passou‑se a ver a escravidão não como um fenômeno regional ou “mais brando” em certos lugares, mas como um mecanismo central na formação das economias modernas, contribuindo para o processo de acumulação do capital.
Essa interpretação enfatiza a exploração da força de trabalho escravizada como fonte de riqueza, relações de produção e integração a mercados internacionais, ligando a história do trabalho escravo à história do capitalismo.
O efeito foi ampliar perguntas e fontes: análises econômicas, estatísticas, redes comerciais e experiências dos próprios escravizados ganharam protagonismo na reconstrução do passado.
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