Questão FC249466
[…] não é difícil encontrar nos livros didáticos afirmações, algumas vezes contundentes e fortes, contra o racismo e o preconceito e, portanto, encorajando os alunos a terem uma vi
Outros Temas de História
VUNESP · 2022
[…] não é difícil encontrar nos livros didáticos afirmações, algumas vezes contundentes e fortes, contra o racismo e o preconceito e, portanto, encorajando os alunos a terem uma visão de “respeito e tolerância com relação aos grupos etnicamente diversos”. Há, em quase todos, uma valorização de “uma nacionalidade que surge da diversidade”. A congruência de três raças – brancos, negros e índios – na formação do povo brasileiro é sempre lembrada. Mas uma leitura mais atenta destes manuais mostra as dificuldades em lidar com a existência de diferenças étnicas e sociais na sociedade brasileira atual.
(Luís Donisete Benzi Grupioni, Livros didáticos e fontes de informações sobre as sociedades indígenas no Brasil. Em: Aracy Lopes da Silva e Luís Donizete Benzi Grupioni (org.), A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1º e 2º graus)
Entre diversas críticas ao livro didático no trato das sociedades indígenas, Luís Grupioni destaca
- a omissão dos materiais didáticos sobre as práticas culturais indígenas ao longo de toda a história, como a antropofagia.
- a insistência dos livros escolares em considerar que as culturas dos povos indígenas são tão desenvolvidas quanto à da sociedade nacional.
- o considerável descuido das obras escolares com a explicitação das influências indígenas na cultura brasileira, especialmente na alimentação.
- o fato de manuais didáticos trabalharem com a noção de índio genérico, ignorando a diversidade existente nestas sociedades.
- o foco dos livros nas temáticas indígenas contemporâneas e a omissão sobre as questões do passado, no início da colonização.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta que os manuais trabalham com a noção de “índio genérico”, isto é, tratam os povos indígenas como um bloco homogêneo, desconsiderando a diversidade étnica, linguística, territorial e cultural existente entre eles.
Essa generalização apaga especificidades: diferentes histórias, formas de organização social, ritos, saberes e reivindicações políticas são reduzidos a estereótipos. Como resultado, alunos ficam com uma visão simplificada e estática dos indígenas, o que dificulta a compreensão de direitos, conflitos territoriais e processos históricos.
Do ponto de vista didático, é essencial nomear povos, apresentar fontes diversas (incluindo vozes indígenas) e explicitar diferenças para promover uma compreensão crítica e plural.
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