Questão FC249470
Houve um episódio curioso no ano de 1971, num pequeno e longínquo povoado amazônico, durante a inauguração de um trecho da Rodovia Transamazônica. […] A tal inauguração coincidiu c
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VUNESP · 2022
Houve um episódio curioso no ano de 1971, num pequeno e longínquo povoado amazônico, durante a inauguração de um trecho da Rodovia Transamazônica. […] A tal inauguração coincidiu com a exibição, no único cinema do povoado, de um filme sobre vampiros que causou grande impressão sobre todos os habitantes. No dia da inauguração foram vistos automóveis pretos, em grande número, certamente ligados à comitiva presidencial. Imediatamente espalhou-se a notícia por todo o povoado de que os vampiros estavam chegando à região, que já tinham atacado outros lugares oferecendo bombons às crianças para, a seguir, agarrá-las e chuparem o seu sangue. Como consequência desses boatos, estabeleceu-se um pânico generalizado no povoado: homens agarrando suas armas, gente rezando e mães desesperadas buscando seus filhos.
(Elias Thomé Saliba, Experiências e representações sociais: reflexões sobre o uso e o consumo das imagens. Em: Circe Bittencourt, O saber histórico na sala de aula)
Elias Thomé Saliba traz esse episódio com o intuito de considerar que
- a produção cultural voltada para as classes populares deve se ater a temáticas menos complexas.
- a leitura equivocada de parte de consumidores de produtos culturais tem relação com a baixa escolaridade.
- a análise cultural deve buscar não apenas o ângulo da produção, mas, sobretudo, o da recepção cultural.
- a produção da cultura erudita é a base da formação e da difusão das culturas populares.
- a produção cultural de massa precisa se voltar para recortes temáticos mais específicos.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O autor relata o episódio para enfatizar a importância da recepção cultural na análise dos fenômenos simbólicos.
O filme, os carros e o boato não ganharam significado apenas pela produção ou pela intenção dos exibidores: foram interpretados segundo crenças locais, circulação de informações e medos coletivos, o que gerou o pânico.
Assim, Saliba sugere que estudar cultura exige olhar para como públicos decodificam mensagens, isto é, para os processos de interpretação e consumo cultural.
Isso não anula o papel da produção, mas desloca o foco para o contexto social e simbólico que transforma sinais em ações concretas.
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