Questão FC249479
Na obra As cidades da Idade Média, de 1927, o historiador Henri Pirenne defendeu a tese do declínio acentuado da vida urbana na Europa Ocidental no decurso do século IX, como conse
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
Na obra As cidades da Idade Média, de 1927, o historiador Henri Pirenne defendeu a tese do declínio acentuado da vida urbana na Europa Ocidental no decurso do século IX, como consequência das invasões germânicas, sarracenas e normandas. A quase extinção das transações comerciais afetou duramente as cidades, tornando-se meras fortalezas, muitas vezes dominadas pelo poder religioso. Com o fim das invasões e do domínio muçulmano do Mediterrâneo, tornou-se possível a existência de rotas comerciais ligando o último ao interior da Europa. As cidades medievais surgiram ao longo dos caminhos que uniam Veneza e Gênova aos portos do Báltico.
(Ronald Raminelli. História urbana. Em: Ciro Flamarion
Cardoso e Ronaldo Vainfas (orgs.). Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia, 1997. Adaptado)
De acordo com o autor, a argumentação de Henri Pirenne tende a relacionar
- o processo de ruralização característico da Idade Média às invasões tanto germânicas quanto muçulmanas.
- as causas demográficas à história das cidades, dissociando-as das causas políticas, econômicas e sociais.
- o fortalecimento da Igreja Católica à crise das cidades na época feudal, responsabilizando-a pelo êxodo urbano.
- o feudalismo à decadência da vida urbana, bem como o capitalismo ao renascimento das cidades.
- o sucesso do modo de produção servil e das relações senhoriais à crise religiosa vivida no contexto medieval.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Henri Pirenne argumenta que o avanço do feudalismo e o colapso das rotas comerciais no alto medievo causaram a decadência urbana. Com as invasões e o enfraquecimento do comércio de longa distância, as cidades perderam funções mercantis e tornaram‑se essencialmente fortalezas vinculadas a relações agrárias e senhoriais.
Por outro lado, o restabelecimento das rotas mediterrâneas e o crescimento do comércio entre Veneza, Gênova e o Báltico favoreceram o surgimento de novas redes econômicas. Esse processo favoreceu o reaparecimento das cidades como centros de troca, produção especializada e serviços.
Assim, Pirenne associa o feudalismo à retração urbana e vincula o renascimento das cidades a um proto‑capitalismo comercial — isto é, à reativação do comércio, crédito e acumulação que revitalizaram a vida urbana.
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