Questão FC249486
Maria Quitéria fugiu da família para se vestir de homem e lutar como soldado, numa decisão premeditada e consciente. Foram mulheres rebeldes, insubordinadas, agindo fora das regras
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
Maria Quitéria fugiu da família para se vestir de homem e lutar como soldado, numa decisão premeditada e consciente. Foram mulheres rebeldes, insubordinadas, agindo fora das regras e das normas, que ganharam respeitabilidade, transformadas em modelos de esposa e mãe, glorificadas por todas as virtudes cristãs intimamente trançadas com as virtudes patrióticas.
(Maria Ligia Coelho Prado, América Latina no século XIX – Tramas, telas e textos, 1999)
Na discussão sobre a participação das mulheres nas lutas pela independência política da América Latina, Maria Ligia Coelho Prado destaca que a historiografia oficial produzida no século XIX e início do século XX
- valorizou a notável coragem das mulheres participantes dos movimentos pela independência, indicando que estavam preparadas para aceitar as consequências de suas lutas e de suas escolhas.
- mostrou que a participação política das mulheres nas lutas pela independência foi mais significativa do que se supunha, revertendo a perspectiva de alheamento da mulher das coisas públicas.
- constituiu um repertório composto por livros sobre “mulheres célebres”, “mulheres patrióticas” ou “mulheres ilustres”, que deveria servir de lição de moral e fonte de inspiração para os jovens.
- esqueceu ou ocultou que as mulheres atuaram num circuito identificado com o da política, motivadas por ideias, sentimentos e crenças que as levaram a romper com os padrões sociais e religiosos vigentes.
- reconheceu a importância das mulheres nos processos de independência, mas subestimou o seu protagonismo, deixando-as em uma condição considerada inferior à das lideranças masculinas.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Historiografia oficial dos séculos XIX e início do XX, ao narrar as lutas de independência, esqueceu ou ocultou que muitas mulheres não foram meras coadjuvantes domésticas, mas agentes políticos conscientes. Ao transformar figuras como Maria Quitéria em símbolos de virtude doméstica, omitiu-se a dimensão das suas motivações — ideias, sentimentos e crenças — que as levaram a romper regras sociais e religiosas.
Essa omissão resulta numa falsa naturalização do papel feminino e apaga da memória ações deliberadas: disfarces, participação em combate, redes de apoio e discursos políticos. Recuperar essa história exige leitura crítica das fontes, reconhecimento da agência feminina e resgate de cartas, relatos e práticas que apontem para a política vivida pelas mulheres.
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