Questão FC249489
Os agnis da Costa do Marfim passavam por inaptos para o trabalho manual, e até para qualquer trabalho: a verdade é que tinham uma etiqueta complicada, a qual respeitavam, e que os
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
Os agnis da Costa do Marfim passavam por inaptos para o trabalho manual, e até para qualquer trabalho: a verdade é que tinham uma etiqueta complicada, a qual respeitavam, e que os proibia, sobretudo às classes superiores, de trabalhar em público.
Entre os masikoros e os baras de Madagáscar, a permuta de um boi reveste-se de um significado especial, pois o gado tem valor social, e vendê-lo passa a ser sinal de decadência, já que esse bem faz parte de um jogo de trocas específicas, fora da economia monetária.
(Marc Ferro. História das colonizações: das conquistas às independências, século XIII a XX, 1996. Adaptado)
No excerto, o historiador Marc Ferro exemplifica
- a confluência dos interesses neocolonialistas em relação às características estruturais da sociedade de povos nativos da África Ocidental.
- parte do processo civilizatório promovido pelo neoimperialismo na África, proporcionando desenvolvimento econômico aos povos nativos.
- o antagonismo entre a base tradicional das sociedades africanas e a economia de mercado, no contexto do imperialismo econômico.
- conflitos existentes no interior das nações africanas que eram inerentes ao processo histórico estrutural, antes mesmo da chegada dos europeus.
- a inadaptação ao progresso tecnológico, tal como pretendido pelo colonizador, de parte expressiva das populações nativas da África Oriental.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa indica que o excerto ilustra o antagonismo entre a base tradicional das sociedades africanas e a economia de mercado imposta pelo imperialismo econômico.
No texto, Ferro descreve práticas culturais que tornam incompatível a lógica capitalista: entre os Agnis, a etiqueta proíbe o trabalho manual em público para certas classes; entre masikoros e baras, o gado tem valor social e ritual, e a sua venda é vista como decadência, não como transação econômica.
Esses exemplos mostram como a mercantilização (salário, venda de bens simbólicos) colide com sistemas de trocas não monetárias, hierarquias e identidades sociais. Assim, Ferro evidencia o conflito e a resistência cultural diante da imposição do mercado colonial.
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