Questão FC249495
Do arcaico ao moderno, do rural ao urbano, do Brasil colônia ao Brasil república, do humano ao sub-humano, da cidadania à escravidão: esses aparentes antagonismos, encobertos pelo
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
Do arcaico ao moderno, do rural ao urbano, do Brasil colônia ao Brasil república, do humano ao sub-humano, da cidadania à escravidão: esses aparentes antagonismos, encobertos pelo véu da modernidade, guardam semelhanças profundas: o mesmo de ontem, hoje, porém metamorfoseado. O trabalho escravo foi, portanto, ressignificado, mas não deixou de ser ele mesmo. Sua essência permanece íntegra mesmo após sua abolição formal e o advento das etapas mais recentes do capitalismo.
(CAVALCANTI, T. M.; RODRIGUES, R. G. Trabalho escravo contemporâneo: hoje,
o mesmo de ontem. Veredas do Direito, Belo Horizonte, v. 20, 2023)
Segundo o artigo citado, a essência do trabalho escravo se revela
- na inexistência de meios que permitam que a riqueza produzida seja plenamente distribuída ao trabalhador.
- na superexploração da pessoa trabalhadora, furtando- lhe a própria condição de ser humano.
- nas atividades produtivas nas quais existam processos em que o trabalhador não possa ser criativo.
- na exigência de que o trabalhador exerça atividades produtivas que coloquem em risco o meio ambiente.
- na negligência do poder de escolha dos trabalhadores em relação aos formatos produtivos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que a essência do trabalho escravo está na superexploração do trabalhador, condição em que o trabalho é extraído além de limites humanos e legais.
Nesse quadro ocorre a desumanização: o sujeito perde dignidade, autonomia e proteção jurídica, sendo tratado como meio de produção e não como pessoa titular de direitos.
Furtar-lhe a própria condição de ser humano significa, portanto, a negação da subjetividade e das liberdades fundamentais — trabalhos forçados, jornadas degradantes, restrição de locomoção e coerção econômica.
Mesmo após transformações históricas e formas modernas de exploração, a essência persiste: a redução do trabalhador ao estado sub-humano por meio da exploração extrema, que caracteriza o trabalho escravo contemporâneo.
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