Questão FC249510
As rebeliões provinciais e as incertezas sobre a forma de organizar o poder central indicam que a unidade do país não estava garantida, ao ser proclamada a Independência do Brasil.
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
As rebeliões provinciais e as incertezas sobre a forma de organizar o poder central indicam que a unidade do país não estava garantida, ao ser proclamada a Independência do Brasil. A unidade foi produto da resolução de conflitos pela força e pela habilidade, e do esforço dos governantes no sentido de construir um Estado centralizado. Mas não há dúvida de que nesse processo a hipótese de separação das províncias foi sempre menos provável do que a permanência da unidade. Para explicar isso, os historiadores têm buscado várias respostas.
(Boris Fausto, História do Brasil. Adaptado)
Uma explicação apresentada por Boris Fausto para o fato de o Brasil ter mantido a unidade territorial, desde os tempos da Colônia, vem da obra de José Murilo de Carvalho. Este considera que
- a emergência dos Estados Unidos nas disputas geopolíticas fortaleceu as ideias de centralização político-administrativa, posição contrária à dos britânicos, defensores da fragmentação territorial.
- a exploração econômica do café e do açúcar fortaleceram todas as regiões do Brasil e, assim, qualquer forma de separatismo não traria qualquer ganho econômico ou mesmo político.
- a natureza da elite política imperial, bastante homogênea em razão da educação e da profissão comuns, teria tido melhores condições de enfrentar com êxito a tarefa de construir o Estado nacional.
- a elite imperial, desde o tempo colonial, defendia que deveria existir um processo claro de transição da mão de obra compulsória para a livre, obedecendo, dessa forma, aos interesses britânicos.
- as camadas dominantes de cada província do Brasil defendiam autonomia administrativa e, ao mesmo tempo, entendiam que a formação de um mercado interno forte era essencial.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Segundo José Murilo de Carvalho, a explicação central para a manutenção da unidade territorial do Brasil repousa na composição da elite política imperial.
Essa elite era marcada por uma forte homogeneidade cultural e profissional: muitos eram bacharéis e homens letrados formados nas mesmas escolas e trajetórias jurídicas.
Essa formação comum gerou um hábito de negociação e um repertório político compartilhado, facilitando acordos entre as províncias e a resolução de conflitos sem quebra do pacto nacional.
Além disso, a elite ocupou e fortaleceu as instituições estatais, promovendo a construção de um Estado centralizado capaz de articular interesses locais numa lógica nacional.
Em suma: a homogeneidade social e cultural da elite permitiu coesão política, mecanismos de coabitação entre oligarquias regionais e, assim, a preservação da unidade do país.
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