Questão FC249599
A introdução, nos estudos históricos, de grupos indígenas e demais grupos étnicos que fazem parte da população brasileira ocorreu sempre de forma ambígua. (Circe Bittencourt, “Iden
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
A introdução, nos estudos históricos, de grupos indígenas e demais grupos étnicos que fazem parte da população brasileira ocorreu sempre de forma ambígua.
(Circe Bittencourt, “Identidade nacional e ensino de história do Brasil”.
Em: Leandro Karnal (org.), História em sala de aula: conceitos, práticas e propostas. Adaptado)
Bittencourt mostra essa ambiguidade quando identifica que os indígenas
- aparecem nos livros didáticos, desde o século XIX, como selvagens antropófagos e, no século XX, por influência do Romantismo, tornam-se um símbolo da nacionalidade.
- são reconhecidos como portadores de um importante dinamismo cultural desde o século XVI e, ao mesmo tempo, são ignorados nos materiais didáticos de História.
- são considerados, desde o início da colonização, como um entrave ao desenvolvimento nacional e, desde a Constituição de 1988, sofrem com restrição ao direito à terra.
- surgem na historiografia do século XIX como essenciais formadores do Brasil e, a partir da República, recebem poucas referências nos livros didáticos.
- estão muito presentes na produção histórica nacional, desde o século XIX, mas têm uma presença tímida nas produções didáticas do ensino fundamental.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa indica a ambiguidade apontada por Bittencourt: os indígenas são representados de formas opostas em momentos distintos da historiografia e dos materiais escolares.
No século XIX aparecem nos livros didáticos como selvagens antropófagos, imagem que reforçava estereótipos, justificativas coloniais e visões etnocêntricas sobre o “outro”.
No século XX, sob a influência do Romantismo e da busca por identidade nacional, passam a ser exaltados como símbolo da nacionalidade, incorporando uma visão idealizada e homogênea do indígena.
Essa oscilação — desprezo e, depois, idealização — exemplifica a ambiguidade temática: não se trata de reconhecimento consistente, mas de construções históricas mutáveis que influenciam o ensino de História.
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