Questão FC249601
No ano de 1595, quarenta escravos fugiram, à noite, de um engenho no sul de Pernambuco. Esses escravos estavam armados de foices, chuços e cacetes e caminhavam vários dias de manhã
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
No ano de 1595, quarenta escravos fugiram, à noite, de um engenho no sul de Pernambuco. Esses escravos estavam armados de foices, chuços e cacetes e caminhavam vários dias de manhã à noite contornando lugares de difícil acesso até chegarem a um local onde se sentiram seguros. É assim que, na visão de alguns historiadores, começa a história de Palmares.
No início foram poucas pessoas, mas o número foi crescendo até tornarem-se uma comunidade de 30 mil aquilombados, entre homens, mulheres e crianças.
(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes, O negro no Brasil de hoje. Adaptado)
Para Munanga e Gomes,
- a sustentabilidade dos quilombos dependia do apoio das Câmaras Municipais.
- os negros de Palmares estabeleceram o primeiro Estado livre nas terras da América.
- o crescimento de Palmares provocou a decadência da produção açucareira.
- a presença holandesa no Brasil fragilizou os quilombolas da região açucareira.
- a dimensão de Palmares revelou a frágil inserção do escravismo no Brasil.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Palmares, para Munanga e Gomes, não foi apenas um refúgio: constituiu um verdadeiro Estado livre nas terras americanas porque organizou-se politicamente, controlou território e manteve instituições próprias.
As comunidades quilombolas de Palmares desenvolveram economia agrícola, redes de troca, estruturas de defesa e liderança, com figuras como Ganga Zumba e Zumbi, capazes de negociar e resistir militarmente aos ataques coloniais.
Essa combinação de soberania local, permanência territorial e reconhecimento tácito pelos inimigos faz com que os autores caracterizem Palmares como um projeto político-autônomo, isto é, um ente coletivo livre do pacto colonial vigente.
Assim, a expressão “primeiro Estado livre” enfatiza a dimensão política e institucional da experiência quilombola, não uma igualdade formal imediata com Estados europeus.
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