Questão FC249604
Entendeu-se que a função do historiador é compreender, não julgar o passado. Logo, o único referencial possível para se ver a Idade Média é a própria Idade Média. Com base nessa po
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
Entendeu-se que a função do historiador é compreender, não julgar o passado. Logo, o único referencial possível para se ver a Idade Média é a própria Idade Média. Com base nessa postura, e elaborando, para concretizá-la, inúmeras novas metodologias e técnicas, a historiografia medievalística deu um enorme salto qualitativo.
Isso não quer dizer, é claro, que os historiadores do século XX tenham resgatado a “verdadeira” Idade Média.
(Hilário Franco Júnior, A Idade Média: nascimento do ocidente. Adaptado)
Para Franco Júnior, não houve o resgate da “verdadeira” Idade Média porque
- o interesse popular sobre essa etapa da História acaba recaindo sobre temáticas consideradas exóticas, a exemplo dos templários e das dinastias aristocráticas fictícias.
- ainda falta descobrir novos conjuntos de documentos que permitam chegar a uma análise histórica definitiva sobre esse período obscuro da História.
- as pesquisas mais contemporâneas sobre esse período histórico mostram um frágil vínculo com a Antiguidade Clássica e o Mundo Moderno.
- as contribuições historiográficas sobre esse período têm rareado, em razão da ausência de documentação acerca das estruturas políticas feudo-vassálicas.
- o historiador, ao examinar o passado, necessariamente trabalha com fragmentos desse passado, que, portanto, jamais poderá ser integralmente reconstituído.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa assinala que o problema é epistemológico: o historiador nunca tem acesso ao passado em sua totalidade, mas apenas a fragmentos preservados nas fontes. Esses fragmentos são parciais, lacunares e muitas vezes contraditórios, exigindo seleção e leitura crítica.
Mesmo com novas metodologias, a reconstrução permanece mediada pela interpretação, pelo contexto do pesquisador e pelas próprias limitações das fontes (silêncios, desgaste, viés). Por isso não se pode falar em resgatar uma “verdadeira” Idade Média como um todo fechado e definitivo.
Em suma: o conhecimento histórico é sempre parcial e provisório; trabalha-se com indícios que permitem aproximações plausíveis, não com uma reconstituição integral e sem lacunas.
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