Questão FC249606
Em fins do século XIII, o papa Bonifácio VIII, defensor da monarquia universal pontifícia, proibiu que os eclesiásticos fizessem doações sem autorização da Santa Sé e que os podere
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2025
Em fins do século XIII, o papa Bonifácio VIII, defensor da monarquia universal pontifícia, proibiu que os eclesiásticos fizessem doações sem autorização da Santa Sé e que os poderes laicos cobrassem taxas sobre bens da Igreja. Na França, em pleno processo de afirmação da monarquia nacional, o rei Filipe IV, em resposta, proibiu a saída de metais preciosos do país e baniu os coletores de impostos papais. Pouco depois, o monarca francês prendeu um bispo, levantando fortes protestos do papa. Filipe acusou Bonifácio de ter sido eleito papa ilegitimamente e em 1303 conseguiu prendê-lo na cidade de Anagni. Apesar de solto logo depois, o papa estava claramente desmoralizado, e o sonho da teocracia pontifícia, falido.
(Hilário Franco Júnior, A Idade Média: nascimento do ocidente)
O excerto demonstra que
- as instâncias decisórias da Igreja tinham divergências profundas acerca das relações entre o Estado absolutista e a religião.
- um conflito provisório se estabeleceu entre Igreja e Estado em meio à decadência da centralização do poder dos monarcas.
- houve uma inequívoca conquista do poder espiritual sobre o temporal, já que a sagração dos reis dependia da anuência da Igreja.
- o prolongamento da antiga disputa entre poder espiritual e poder temporal foi uma importante questão da Igreja na Baixa Idade Média.
- a monarquia nacional era uma instituição dependente do beneplácito papal e, dessa forma, explica-se a fragilidade do poder real.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Resposta D: o excerto ilustra o prolongamento da antiga disputa entre poder espiritual e poder temporal na Baixa Idade Média.
O confronto entre Bonifácio VIII e Filipe IV — proibições papais sobre doações, a reação real de reter metais e expulsar coletoras papais, a prisão de um bispo e, por fim, a captura do próprio papa em Anagni — mostra que a tensão entre Igreja e reis continuou ativa e decisiva.
Esse episódio não é isolado: ele aponta para a perda de prestígio papal e para a afirmação das monarquias nacionais, transformando a relação entre as duas esferas em uma questão central para a Igreja e para o poder político na época.
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