Questão FC249656
“O antissemitismo alcançou o seu clímax quando os judeus haviam perdido as funções públicas e a influência, e quando nada lhes restava senão sua riqueza. Quando Hitler subiu ao pod
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2024
“O antissemitismo alcançou o seu clímax quando os judeus haviam perdido as funções públicas e a influência, e quando nada lhes restava senão sua riqueza. Quando Hitler subiu ao poder, os bancos alemães, onde por mais de cem anos os judeus ocupavam posições-chave, já estavam quase desjudaizados, e os judeus na Alemanha, após longo e contínuo crescimento em posição social e em número, declinavam tão rapidamente que os estatísticos prediziam o seu desaparecimento em poucas décadas.”
(Hannah Arendt, Origens do Totalitarismo. Adaptado)
O argumento discutido no texto, assim como na obra citada, contribui para refutar a ideia de que
- o antissemitismo remontaria às origens do islamismo, quando os judeus foram responsabilizados pela perseguição a Maomé.
- a perseguição aos judeus teria um componente racial, na medida em que não seriam considerados parte da raça ariana.
- o combate ao judaísmo faria parte de um projeto nacionalista alemão no qual os judeus não estariam inseridos.
- o ódio aos judeus na Alemanha nazista teria surgido como reação contra a sua importância e o seu poderio.
- a violência contra os judeus responderia a dinâmicas mais complexas que não apenas as questões políticas e econômicas.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa refuta a ideia de que o ódio aos judeus teria surgido como reação à sua suposta importância ou ao seu poder.
No trecho de Hannah Arendt fica claro que o antissemitismo alcançou seu ápice quando os judeus já haviam perdido funções públicas e influência; restava-lhes apenas a riqueza, e até essa estava em declínio (bancos "quase desjudaizados").
Logo, a perseguição não corresponde a uma resposta contra um grupo realmente poderoso: trata‑se de um fenômeno que prossegue apesar da marginalização social e econômica dos judeus.
Arendt, assim, mostra que o ódio é explicado por mecanismos ideológicos, políticos e simbólicos (propaganda, culpabilização e construção de inimigos), não por uma reação proporcional ao poder efetivo dos judeus.
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