Questão FC249663
“Foram mulheres rebeldes, insubordinadas, agindo fora das regras e das normas, que ganharam respeitabilidade, transformadas em modelos de esposa e mãe, glorificadas por todas as vi
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2024
“Foram mulheres rebeldes, insubordinadas, agindo fora das regras e das normas, que ganharam respeitabilidade, transformadas em modelos de esposa e mãe, glorificadas por todas as virtudes cristãs intimamente trançadas com as virtudes patrióticas. Enfim, biografias domesticadas, descarnadas e liberadas de qualquer dimensão de conflito senão aquele entre o bem maior - a pátria - e o mal absoluto - a opressão colonial. Ainda que não cultuadas ou entronizadas, pelo menos até o presente, alcançaram nessas biografias o altar de santas da pátria. Os biógrafos retiraram-nas do espaço público, onde efetivamente se deu sua atuação política, e recolheram-nas ao espaço privado, já consagrado como “o lugar da mulher”.
(Maria Ligia Coelho Prado, América Latina no século XIX: tramas, telas e textos. Adaptado)
Ao discutir a participação das mulheres nas lutas pela independência política da América Latina, o texto defende que
- as mulheres tiveram papel secundário e periférico nas lutas pela independência, ainda que tenham se engajado ativamente no processo.
- há um esquecimento e uma diminuição da importância das mulheres nos movimentos pela independência e na sua atuação no circuito público da política.
- a participação das mulheres esteve vinculada a homens de referência, como os seus maridos ou outras importantes lideranças políticas masculinas.
- as biografias sobre a vida dessas mulheres as vincularam mais às lutas políticas pela independência do que às questões domésticas e familiares.
- a história de vida dessas mulheres foi narrada como uma história heroica, exagerando as suas atuações na luta pela independência.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O texto aponta que houve um esquecimento e uma diminuição da importância das mulheres nas lutas de independência, por meio de um processo de reescrita de suas vidas como exemplos domésticos e morais.
Os biógrafos, segundo a autora, retiraram-nas do espaço público — onde efetivamente atuaram politicamente — e as recolheram ao espaço privado.
Essa transferência simbólica reduz e oculta a dimensão política de suas ações.
Como resultado, biografias foram domesticadas: as mulheres deixam de ser apresentadas como agentes conflituosos e passam a ser exibidas como modelos de virtude cristã e patriotismo, apagando o conflito real entre luta e opressão.
Portanto, a análise defende que houve um processo deliberado de apagamento e minimização do papel feminino no circuito público político.
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