Questão FC249737
Maria Lígia Coelho Prado, na obra América Latina no século XIX; Tramas, Telas e Textos, afirma que, no tocante à Igreja Católica na América Latina contemporânea e suas divisões int
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
Maria Lígia Coelho Prado, na obra América Latina no século XIX; Tramas, Telas e Textos, afirma que, no tocante à Igreja Católica na América Latina contemporânea e suas divisões internas com relação ao poder político e aos problemas sociais, é possível fazer um paralelo entre o presente e o período da independência.
Em relação ao processo de independências na América espanhola, a Igreja Católica
- produziu um discurso de radical apoio a uma saída negociada entre os rebeldes e a Coroa espanhola, e o baixo clero, de origem criolla, defendia a manutenção dos laços coloniais, mas com a ampliação dos poderes dos vice-reinados.
- defendeu os objetivos realistas, inclusive utilizando as referências religiosas para entravar o movimento rebelde e, ao mesmo tempo, um número importante de sacerdotes lutou ao lado dos defensores da emancipação política.
- mostrou-se simpática à emancipação política, principalmente no vice-reinado do México, porque tinha interesse em separar-se do Estado espanhol, que não permitia a existência de universidades comandas por religiosos.
- organizou o clero dos espaços coloniais espanhóis na América, o qual era fortemente conservador, para se contrapor a qualquer autoridade política constituída que fosse defensora da manutenção do colonialismo.
- justificou o direito dos colonos de defender a emancipação política dos vice-reinados, posição baseada na doutrina social do papado, na mesma medida em que o clero ligado aos criollos defendia a formação de uma monarquia dual.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa aponta que a Igreja Católica atuou de forma dual durante as independências: como instituição, inclinou-se a apoiar os realistas, usando referências religiosas para sustentar a ordem colonial e desacreditar as rebeliões.
Ao mesmo tempo, um número significativo de sacerdotes — sobretudo do baixo clero e de origem local — engajou-se nas lutas emancipacionistas, liderando movimentos e mobilizando comunidades. Esse alinhamento decorreu de vínculos sociais locais, identificação com reivindicações criollas e críticas às estruturas coloniais.
Portanto, a atuação clerical não foi monolítica: conviveram a defesa institucional da autoridade colonial e a participação ativa de religiosos na causa da independência, evidenciando uma clara clivagem interna na Igreja.
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