Questão FC249739
Os dois Estados [França e Grã-Bretanha] [...] se sabiam fracos demais para defender um status quo em grande parte estabelecido em 1919 para atender a seus interesses. Também sabiam
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
Os dois Estados [França e Grã-Bretanha] [...] se sabiam fracos demais para defender um status quo em grande parte estabelecido em 1919 para atender a seus interesses. Também sabiam que esse status quo era instável e impossível de ser mantido. Nenhum tinha nada a ganhar com outra guerra e muito a perder. A política óbvia e lógica era negociar com a nova Alemanha para estabelecer um padrão europeu mais durável, e isso sem dúvida significava fazer concessões ao crescente poder da Alemanha. [...]
[...]
Contudo, acordo e negociação eram impossíveis com a Alemanha de Hitler [...]
(Eric Hobsbawm, Era dos extremos, p. 155.)
Para Hobsbawm, no contexto apresentado, a impossibilidade de acordo e negociação com a Alemanha explicava-se em razão
- de os objetivos políticos do nacional-socialismo serem irracionais e ilimitados, e expansão e agressão fazerem parte do sistema, condições que tornavam a guerra inevitável.
- da estratégia do governo nazista em buscar acordos de não-agressão com os Estados Unidos, além de uma aproximação diplomática inédita com países da América do Sul.
- da dificuldade das diplomacias francesa e britânica em justificar, junto à Alemanha, a conduta das suas nações, que recorriam à desobediência das deliberações da Liga das Nações.
- da petição alemã, ao Conselho Executivo da Sociedade das Nações, para que franceses e ingleses também fossem responsabilizados pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.
- de os nazistas desconsiderarem qualquer possiblidade de estabelecimento de acordos diplomáticos com nações que se mantinham demarcando com o liberalismo político e econômico.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Segundo Hobsbawm, a dificuldade de negociar com a Alemanha de Hitler decorre do caráter do próprio nacional-socialismo. Não se tratava apenas de reivindicações pontuais, mas de um projeto político que integrava, em sua ideologia e prática, metas de conquista e domínio.
Esses objetivos eram, na visão do autor, irracionais e ilimitados: guiados por noções raciais e por ambições territoriais (como o Lebensraum), não se submetiam a acordos que preservassem o status quo.
Como a expansão e a agressão estavam incorporadas ao sistema, qualquer concessão apenas postergaria demandas sucessivas.
Por isso, Hobsbawm conclui que a natureza do regime tornava a guerra inevitável, pois não havia interlocução possível com um projeto cujo fim era a contínua ampliação do poder.
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