Questão FC249740
Combater mitos que ainda estão vivos na sociedade é sempre uma tarefa difícil e perigosa. No Brasil, esse mito não está completamente morto. Embora profundamente enfraquecido nos c
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
Combater mitos que ainda estão vivos na sociedade é sempre uma tarefa difícil e perigosa. No Brasil, esse mito não está completamente morto. Embora profundamente enfraquecido nos centros urbanos, o sistema de clientela e patronagem ainda sobrevive no Brasil – quase intacto, como em algumas regiões do interior, ou remodelado para ajustar-se à sociedade moderna. Também explica, pelo menos em parte, por que os professores Octávio Ianni e Florestan Fernandes, como muitos outros que consideravam como sua a tarefa de destruir os mitos tradicionais que inibiam o processo de democratização da sociedade brasileira, foram forçados a se retirar da Universidade de São Paulo em 1969.
(Emília Viotti da Costa. Da Monarquia à República, p. 384. Adaptado)
A historiadora Emília Viotti destacou que os dois professores afastados realizaram estudos dedicados a
- combater o ideário do manifesto regionalista, em face do movimento modernista.
- desmitificar os preceitos do self-made man, contrariando modelos estadunidenses.
- desconstruir a ideia da democracia racial e da brandura da escravidão no Brasil.
- comprovar a aplicabilidade da análise marxista ao contexto do Brasil colônia.
- defender a teoria do “processo de miscigenação” para a mobilidade social no Brasil.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Florestan Fernandes e Octávio Ianni dedicaram-se a demonstrar, com evidência histórica e sociológica, que a ideia de democracia racial e a noção de brandura da escravidão funcionavam como mitos legitimadores de desigualdades profundas.
Ao analisar instituições, relações de poder e trajetórias sociais, mostraram a persistência do racismo e das barreiras à mobilidade, bem como a violência e a exclusão herdadas do sistema escravista.
Essas pesquisas revelaram que a suposta harmonia racial encobria desigualdade estrutural e práticas clientelistas que limitavam a democratização; questionar essas narrativas abalava interesses políticos e sociais.
Por isso, suas críticas ao mito da democracia racial e à romantização da escravidão foram centrais para entendermos as continuidades históricas do Brasil e explicam, em grande parte, a reação institucional que os afastou em 1969.
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