Questão FC249747
Em artigo publicado em 1998, Circe Bittencourt analisa propostas curriculares produzidas em quase todos os estados brasileiros, entre 1990 e 1995. Sobre essas propostas, a autora a
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
Em artigo publicado em 1998, Circe Bittencourt analisa propostas curriculares produzidas em quase todos os estados brasileiros, entre 1990 e 1995. Sobre essas propostas, a autora afirma:
Um ponto em que as propostas convergem refere-se à crítica às noções de tempo impostas pelos currículos anteriores, oriundos dos paradigmas positivistas e que devem ser superados.
(Circe Bittencourt, Capitalismo e cidadania nas atuais propostas de História.
Em: Circe Bittencourt (org.), O saber histórico na sala de aula. Adaptado)
Nestas propostas curriculares, em geral, a superação “às noções de tempo impostas pelos currículos anteriores”, veio por meio
- do combate à concepção acerca da necessidade de trazer variadas narrativas históricas, porque o passado e a percepção temporal das sociedades humanas podem ser recuperados fidedignamente pela ciência histórica.
- do cuidado com uma criteriosa análise das noções e do conceito de tempo nas suas mais variadas formas, privilegiando a divisão do tempo histórico em Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea.
- do questionamento de um ensino de História fundamentado na construção de um tempo histórico homogêneo, determinado pelo eurocentrismo, e com a projeção de se trabalhar com diferentes temporalidades e diferentes sujeitos.
- do entendimento de que o estágio cognitivo em que se encontram os estudantes do ensino básico não permite uma clara conceituação de tempo histórico e, assim, caberia a um curso de História o trabalho com o tempo cronológico.
- da rigorosa elaboração de estratégias para o ensino-aprendizagem para o trabalho com o tempo linear, o instrumento mais ajustado para que os estudantes compreendam as transformações humanas ao longo da história.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa indica o questionamento de um ensino que impõe um tempo histórico homogêneo e centrado na perspectiva europeia — ou seja, critica o eurocentrismo que organiza cronologias e prioridades como se fossem universais.
Na prática, isso significa trabalhar com múltiplas temporalidades: reconhecer ritmos, durações e pontos de referência distintos (ciclos locais, memórias comunitárias, processos de longa duração e rupturas) em vez de uma sequência única e linear de acontecimentos.
Também envolve dar voz a diferentes sujeitos históricos — povos indígenas, populações afro-brasileiras, mulheres, trabalhadores e outras coletividades — valorizando suas experiências, tempos e narrativas.
Assim, o currículo passa a promover uma abordagem plural, crítica e contextualizada da História, ampliando perspectivas e fontes.
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