Questão FC249759
No artigo Sobre História, Braudel e os vagalumes. A Escola dos Annales e o Brasil (ou vice-versa) (em: Marcos Cezar Freitas (org.), Historiografia brasileira em perspectiva), Paulo
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
No artigo Sobre História, Braudel e os vagalumes.
A Escola dos Annales e o Brasil (ou vice-versa) (em: Marcos Cezar Freitas (org.), Historiografia brasileira em perspectiva), Paulo Miceli afirma que “A reconstituição de grandes cenários capazes de comportar a elaboração do vasto espetáculo da História era para Braudel uma tarefa que não deveria ficar submetida apenas aos procedimentos tradicionais da velha disciplina”.
Nesse sentido, segundo o artigo citado, Braudel
- ponderava sobre a necessidade de uma História calcada, fundamentalmente, em depoimentos memoriais e em documentos comprovadamente verídicos, a partir de referências do idealismo.
- avaliava que a História de uma sociedade precisava estar ligada à existência de um Estado, mesmo que este fosse embrionário, porque entendia que a esfera política é a chave das transformações humanas.
- analisava como a principal tarefa de um historiador à busca da verdade objetiva do passado, deixando que as fontes históricas apresentem as características desse passado, sem interpretação ideológica.
- considerava essencial a multidisciplinaridade, porque as questões postas pela História poderiam ser ampliadas a partir da incursão aos territórios das outras ciências sociais.
- propunha que o constante progresso da sociedade precisava estar associado ao avanço científico e, dessa forma, o estudo do passado só ganharia sentido se fosse submetido ao rigor metodológico da ciência histórica em ascensão.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Braudel defendia a multidisciplinaridade como princípio metodológico: para entender o passado não bastam relatos pontuais, é preciso construir “grandes cenários” que integrem diferentes escalas e fatores.
Essa abordagem prioriza a longa duração e as estruturas (econômicas, sociais e ambientais) que condicionam os eventos, ampliando as perguntas históricas além do político e do episódico.
Por isso propunha diálogo com geografia (meio e paisagem), economia (ritmos e ciclos), sociologia e antropologia (práticas, mentalidades, grupos), entre outras, para cruzar fontes e métodos.
Na prática, a multidisciplinaridade braudeliana leva a usar diversas evidências, combinar análises qualitativas e quantitativas e formular explicações mais contextuais, causais e duradouras sobre o passado.
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