Questão FC249761
As formas de organização totalitária, em contraposição com seu conteúdo ideológico e os slogans de propaganda, são completamente novas. (Hannah Arendt, Origens do totalitarismo.) P
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
As formas de organização totalitária, em contraposição com seu conteúdo ideológico e os slogans de propaganda, são completamente novas.
(Hannah Arendt, Origens do totalitarismo.)
Para Arendt, as formas de organização totalitária
- objetivam dar às mentiras propagandistas, tecidas em torno de uma ficção central – por exemplo, a conspiração dos judeus –, a realidade operante e a construção de uma sociedade cujos membros ajam e reajam segundo as regras de um mundo fictício.
- concebiam que as sociedades humanas, ao longo da história, eram organizadas e controladas por mecanismos próprios da existência de um Estado e que, em uma nova ordem, caberia à sociedade determinar quais seriam as formas de organização estatal.
- representavam a submissão das temáticas nacionais às internacionais, como a questão racial, no sentido de que a ordem instituída oferecia a promessa de levar essa mesma ordem para todos os continentes.
- procuravam desqualificar todos os mecanismos de cooperativismo social, fossem estatais ou privados, e desenvolveram estruturas que qualificavam a ação de cada indivíduo como o fundamento do poder de um povo.
- buscavam estabelecer consensos entre as principais lideranças nacionais para temas basilares como o desenvolvimento econômico e as questões doutrinárias, sendo que as relações entre o povo e o Estado eram privativas da maior liderança política.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Para Arendt, as formas organizacionais do totalitarismo têm como objetivo transformar as mentiras propagandistas em uma realidade operante. Essas organizações articulam uma ficção central — por exemplo, a conspiração dos judeus — e estruturam aparelhos políticos e sociais para que essa ficção funcione como explicação única e determinante dos acontecimentos.
Por meio de propaganda massiva, terror institucional, burocracia e mobilização das massas, o regime impõe uma lógica em que o falso passa a guiar decisões, práticas e relações cotidianas. As instituições e rituais do poder legitimam o imaginário criado, tornando-o prática política efetiva.
O resultado é uma sociedade cujos membros agem e reagem segundo as regras desse mundo fictício: a distinção entre verdade e mentira se desfaz, e a vida pública e privada passa a ser regulada pela ficção instituída.
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