Questão FC249762
Nas últimas décadas, tornou-se comum que os historiadores marxistas – autores de um já impressionante corpo de investigações – nem sempre estivessem diretamente preocupados com os
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
Nas últimas décadas, tornou-se comum que os historiadores marxistas – autores de um já impressionante corpo de investigações – nem sempre estivessem diretamente preocupados com os problemas teóricos relativos às implicações suscitadas por seus trabalhos. Ao mesmo tempo, os filósofos marxistas, que procuraram elucidar ou resolver as questões teóricas básicas do materialismo histórico, fizeram-no, com frequência, consideravelmente afastados dos resultados específicos expostos pelos historiadores. Aqui, fez-se uma tentativa de explorar um terreno intermediário entre aquelas posições. É possível que sirva apenas como exemplo negativo.
(Perry Anderson, Linhagens do Estado Absolutista)
Nesse sentido, a obra citada tem o objetivo de
- descrever e analisar como o Estado absolutista, na maior parte da Europa, tornou-se um instrumento a serviço dos interesses da burguesia comercial e, assim, do desenvolvimento das estruturas capitalistas, como no caso do reconhecimento da propriedade privada como um direito natural de todos os homens.
- dissecar a essência e as estruturas basilares do Estado absolutista, nas diversas regiões europeias, verificando as particularidades, mas identificando que em todas essas experiências históricas, o poder esteve nas mãos de um monarca, que ora serviu aos interesses da burguesia nascente, ora da nobreza decadente.
- demonstrar que o surgimento do Estado absolutista decorre da necessidade de combate aos principais preceitos nobiliárquicos, como a exploração do trabalho servil e a negação da ética do trabalho, e para isso foi fundamental a instituição de mecanismo de participação popular, caso dos vários tipos de parlamentos na Europa.
- examinar simultaneamente o absolutismo europeu “em geral” e “em particular”, ou seja, tanto as estruturas “puras” do Estado absolutista, que o constituem enquanto categoria histórica fundamental, como as variantes “impuras”, representadas pelas diferentes monarquias específicas da Europa pós-medieval.
- reconhecer as origens e o desenvolvimento do Estado absolutista a partir do conflito do rei com a nobreza, já que o soberano, que concentrava todos os poderes, não atendia o pedido dos grandes senhores de terra para garantir a segurança do reino por meio do sufocamento de rebeliões e revoltas camponesas.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta que Anderson propõe analisar o absolutismo em dupla dimensão: o “geral” e o “particular”.
Por “geral” entende-se a investigação das estruturas “puras” que definem o Estado absolutista como categoria histórica: centralização do poder, burocracia, exército profissional, relação com a economia e classes.
Por “particular” compreendem-se as variantes “impuras”, isto é, as adaptações concretas nas diferentes monarquias específicas da Europa pós-medieval, sujeitas a tradições locais e equilíbrios de poder.
Assim, o objetivo é articular teoria e empiria, fazendo o movimento do universal ao singular para captar tanto a essência quanto as circunstâncias históricas que moldam cada experiência absolutista.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em