Questão FC249764
O historiador marxista afinado com a perspectiva do PCB que se destacou e alcançou respeitabilidade nos anos 50 foi Nelson Werneck Sodré, que desenvolvia intensa atividade no ISEB,
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
O historiador marxista afinado com a perspectiva do PCB que se destacou e alcançou respeitabilidade nos anos 50 foi Nelson Werneck Sodré, que desenvolvia intensa atividade no ISEB, através de cursos muito concorridos e numerosas publicações, entre as quais O tratado de Methuen (1957), As classes sociais no Brasil (1957), Introdução à revolução brasileira (1958), Raízes históricas do nacionalismo brasileiro (1958) e o texto em que se baseavam suas aulas e que saiu no começo dos anos 60, Formação histórica do Brasil [...].
(Leandro Konder, História dos intelectuais nos anos cinquenta. Em:
Marcos Cezar Freitas (org.), Historiografia brasileira em perspectiva)
Segundo Konder, Werneck Sodré defendia que
- a economia brasileira sofria uma dupla pressão: a interna, com o latifúndio, e a externa, com o imperialismo, e ambos aparecem como peças conjugadas, trabalhando no mesmo sentido.
- o desenvolvimento econômico do Brasil, assim como das outras nações latino-americanas, passava pela integração regional e pela oferta de cidadania política ampla para todos os brasileiros.
- as riquezas nacionais deveriam ser exploradas por empresas estatais, mas com a importante contribuição do capital estrangeiro, principalmente dos bancos de desenvolvimento.
- o subdesenvolvimento brasileiro seria superado com o estabelecimento de outro patamar de relações diplomáticas com o Primeiro Mundo, com o Brasil exigindo um comércio internacional menos desigual.
- as possibilidades de progresso econômico do Brasil eram claras, mas dependiam da formação de uma elite intelectual com sensibilidade social e comprometida com as transformações políticas.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa sintetiza a interpretação de Nelson Werneck Sodré: a economia brasileira sofre uma dupla pressão.
Internamente, o latifúndio concentra terra, riqueza e poder político, moldando relações produtivas atrasadas e bloqueando reformas sociais e econômicas.
Externamente, o imperialismo impõe dependência através de capitais, mercados e desigualdades comerciais que limitam a autonomia do desenvolvimento nacional.
Para Sodré esses fatores não atuam isoladamente, mas conjugados, formando uma aliança objetiva entre elites internas e interesses estrangeiros que fortalece o subdesenvolvimento.
Daí a ênfase em mudanças estruturais: enfrentar simultaneamente o latifúndio e a dependência imperialista é condição para romper o ciclo de atraso.
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