Questão FC249765
Em 1945, foi publicada a História econômica do Brasil, de Caio Prado Jr. O autor se coloca explicitamente dentro dos pressupostos do “materialismo dialético” como teoria do conheci
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
Em 1945, foi publicada a História econômica do Brasil, de Caio Prado Jr. O autor se coloca explicitamente dentro dos pressupostos do “materialismo dialético” como teoria do conhecimento, como expõe no prefácio da primeira edição.
(Vavy Pacheco Borges, Anos trinta e política: História e historiografia. Em:
Marcos Cezar Freitas (org.), Historiografia brasileira em perspectiva)
Sobre a obra de Prado Jr., Borges considera que ela
- apresenta uma série de inovações historiográficas, como a ampliação do conceito de documentos, e considera que a grande questão nacional, provocadora de muitos problemas estruturais, foi a artificial proclamação da República.
- trata a nossa história nacional, desde o início, a partir da inserção do Brasil enquanto colônia, no desenvolvimento do sistema capitalista e, dessa forma, estando sempre presente a noção de dependência.
- analisa a formação étnica do povo brasileiro como uma questão central para a compreensão dos descaminhos nacionais, como a propensão ao subdesenvolvimento econômico e às fortes desigualdades regionais.
- demonstra que a crise político-econômica brasileira, essencialmente estrutural, tem as suas raízes menos no processo de colonização e mais no formato institucional elaborado para a construção do Estado nacional no Brasil.
- claramente se opõe à tradição historiográfica monarquista e compreende o decisivo papel da colonização ibérica na América, porque possibilitou a construção de caminhos econômicos autônomos para as ex-colônias.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que, em História econômica do Brasil, Caio Prado Jr. lê o passado brasileiro a partir da inserção do território colonial no sistema capitalista mundial.
Partindo do prefácio e do método, ele adota o materialismo dialético para explicar como as relações de produção e a função econômica da colônia — voltada à exportação de matérias‑primas — determinaram estruturas sociais e institucionais duradouras.
Desse enquadramento surge a noção de dependência: o Brasil não é tratado como um desenvolvimentismo autônomo, mas como peça integrada e subordinada a dinâmicas externas, o que ajuda a entender continuidade de desigualdades regionais e limitações econômicas.
Assim, a obra coloca a colonização e a inserção no capitalismo como eixos explicativos centrais da história nacional.
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