Questão FC249774
“Acredito nesta raça...,” dizia Joseph Chamberlain em 1895. Ele entoava um hino imperialista à glória dos ingleses e celebrava um povo cujos esforços superavam os de seus rivais fr
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2023
“Acredito nesta raça...,” dizia Joseph Chamberlain em 1895. Ele entoava um hino imperialista à glória dos ingleses e celebrava um povo cujos esforços superavam os de seus rivais franceses, espanhóis e outros. Aos outros povos, ”subalternos”, o inglês levava a superioridade de seu savoir-faire, de sua ciência também; o “fardo do homem branco” era civilizar o mundo, e os ingleses mostravam o caminho.
Essa convicção e essa missão significavam que, no fundo, os outros eram julgados como representantes de uma cultura inferior, e cabia aos ingleses, “vanguarda” da raça branca, educá-los, formá-los – embora sempre se mantendo à distância. Se os franceses também achavam que os nativos eram umas crianças, e sem dúvida os consideravam inferiores, suas convicções republicanas levavam-nos, porém, a fazer afirmações de outro teor, pelo menos em público, ainda que estas não estivessem necessariamente em consonância com seus atos.
(Marc Ferro, História das colonizações: das conquistas às independências, séculos XIII a XX)
Para Ferro, no contexto apresentado, o que aproximava franceses, ingleses e outros colonizadores era
- a percepção de que o mundo colonizado trazia mais ônus, morais e econômicos, do que conquistas nacionais efetivas.
- o objetivo de transferir parte considerável da população europeia para os espaços coloniais mais desenvolvidos economicamente.
- a certeza de que os domínios coloniais eram perenes e que a ação colonizadora seria necessária por muito tempo.
- a necessidade progressiva de retirar recursos financeiros sempre em valores superiores aos investimentos realizados.
- a convicção de que encarnavam a ciência e a técnica e de que este saber permitia às sociedades por eles subjugadas progredir.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Para Ferro, o traço comum entre franceses, ingleses e outros colonizadores era a crença de que encarnavam ciência e técnica, isto é, um saber superior capaz de ordenar e melhorar o mundo.
Esse sentimento de superioridade legitimizava a intervenção política e cultural: os colonizadores viam‑se como portadores do savoir‑faire e da missão civilizatória, incumbidos de educar e formar os povos dominados.
Assim, o quadro ideológico não se baseava apenas em interesses econômicos ou políticos, mas numa justificativa cultural: o domínio era apresentado como um meio de promover o progresso das sociedades subjugadas graças ao saber europeu.
Daí decorre a escolha da alternativa: a convicção na superioridade técnica e científica e na capacidade desse saber de fazer progredir os colonizados.
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