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Questão FC249780

Leia o excerto da crônica de Frei Buenaventura de Salinas y Córdova, do início do século XVII. No tempo das “mitas”, é lastimável ver os índios [...] presos como malfeitores, com c

Questões sem classificação de assunto (História)

VUNESP · 2023

Leia o excerto da crônica de Frei Buenaventura de Salinas y Córdova, do início do século XVII.

 

No tempo das “mitas”, é lastimável ver os índios [...] presos como malfeitores, com cordas e argolas de ferro; e as mulheres, os filhos e parentes se despedindo dos templos, deixando fechadas suas casas e os seguindo, dando alarido aos céus, desgrenhando os cabelos, cantando em sua língua tristes canções e lamentos lúgubres, despedindo-se deles, sem esperança de voltar a vê-los.

 

(Apud: Kátia Gerab e Maria Angélica Campos Resende. A rebelião

de Tupac Amaru: luta e resistência no Peru do século XVIII, 1987.)

 

O excerto trata da colonização espanhola do Peru e expõe a relação entre

  1. as manifestações culturais indígenas e os princípios da religiosidade católica trazidos pelos colonizadores.
  2. o aprisionamento de indígenas acusados de crimes contra os colonizadores e a aplicação da pena de morte.
  3. a persistência de rituais dos povos nativos e a intolerância religiosa dos colonizadores espanhóis.
  4. o trabalho compulsório imposto aos indígenas e a desagregação dos laços familiares e comunitários.
  5. a tentativa de colonizadores integrarem os indígenas à sociedade colonial e a resistência dos nativos.
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Gabarito

D

Comentário do professor

O excerto descreve o sistema das “mitas” como prática colonial que impunha o trabalho compulsório aos indígenas. A imagem dos nativos “presos como malfeitores, com cordas e argolas de ferro” revela a natureza coercitiva e punitiva dessa instituição.

Ao enfatizar as despedidas das mulheres, filhos e parentes — chorando em sua língua, deixando as casas fechadas — o texto mostra a desagregação dos vínculos privados e comunitários. A separação forçada fragiliza estruturas familiares e religiosas locais.

Portanto, a passagem evidencia tanto a exploração laboral imposta pelos colonizadores quanto o efeito social devastador dessa prática: a ruptura dos laços familiares e comunitários, condição que sustentou a ordem colonial no Peru.

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