Questão FC249817
Guinéus e negros tomados pela força, outros legitimamente adquiridos por contrato de compra foram trazidos ao reino, onde em grande número se converteram à fé católica, o que esper
Questões sem classificação de assunto (História)
VUNESP · 2021
Guinéus e negros tomados pela força, outros legitimamente adquiridos por contrato de compra foram trazidos ao reino, onde em grande número se converteram à fé católica, o que esperamos progrida até a conversão do povo ou ao menos de muitos mais. [...] Por isso nós, tudo pensando com devida ponderação, por outras cartas nossas concedemos ao dito rei Afonso [de Portugal] a plena e livre faculdade, entre outras, de invadir, conquistar, subjugar quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo aplicar em utilidade própria e dos seus descendentes.
(Apud: Ynaê Lopes dos Santos. História da África e do Brasil afrodescendente, 2017.)
O excerto, extraído de uma bula emitida pelo Papa Nicolau V em 1454, revela
- o interesse econômico da Igreja católica nos negócios do tráfico atlântico de africanos escravizados.
- o repúdio da máxima autoridade da Igreja católica às formas de trabalho servil e assalariado.
- a aliança político-militar entre o Papado e o reino de Portugal na defesa da conquista europeia da África.
- o endosso oficial da Igreja católica à escravização de africanos, com a finalidade de catequizá-los.
- a tentativa de impedir a escravização dos nativos das colônias por meio do estímulo à escravização de africanos.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que o trecho constitui o endosso oficial da Igreja Católica à escravização de africanos, condicionada à sua catequese. A bula de Nicolau V concede ao rei de Portugal autoridade para invadir, subjugar e "reduzir à servidão" povos não cristãos, justificando tal prática como meio de torná‑los cristãos.
O documento revela, portanto, uma legitimação religiosa da expansão e do tráfego de pessoas: a escravidão é apresentada não apenas como conquista política ou econômica, mas como instrumento de evangelização.
Essa intervenção papal serviu de fundamento moral e jurídico para as ações portuguesas na África e influenciou a formação do direito colonial que permitiu o comércio transatlântico de escravizados.
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