Questão FC280160
Dentre as graves violações aos direitos humanos praticadas durante a ditadura militar no Brasil e denunciadas pela Comissão Nacional da Verdade, qual das seguintes medidas foi cons
História do Brasil
IDECAN · 2019
“O período histórico a que se refere o mandato conferido à Comissão Nacional da Verdade (CNV), o período da ditadura militar instalada em 1964, esteve associado a um quadro de violações massivas e sistemáticas de direitos humanos. A Lei Federal no 12.528/2011 define a competência da CNV, estipulando-a para o esclarecimento de fatos, circunstâncias e autoria de graves violações de direitos humanos praticadas pelo Estado brasileiro no período de 1946 a 1988. O legislador apresenta, no artigo 3º, II da lei, uma lista de quatro condutas, às quais deve ser concedido tratamento especial em razão de sua gravidade. No entanto, a despeito da não inclusão explícita dessa conduta no texto da lei, a CNV decidiu considerá-la como grave violação de direitos humanos, seja porque já é assim considerada, como proibição imperativa para todos os Estados, seja porque foram tidas como uma espécie de porta de entrada do sistema repressivo do regime militar e um facilitador para a prática de outras graves violações, como denunciou o projeto Brasil: nunca mais.”
Brasil. Comissão Nacional da Verdade. Relatório / Comissão Nacional da Verdade. – Recurso eletrônico. – Brasília: CNV, 2014. Volume I. p. 278-279 (com adaptações)
Dentre as graves violações aos direitos humanos praticadas durante a ditadura militar no Brasil e denunciadas pela Comissão Nacional da Verdade, qual das seguintes medidas foi considerada como porta de entrada para as arbitrariedades cometidas pelo regime?
- Desaparecimento forçado.
- Morte.
- Ocultação de cadáver.
- Prisão ilegal e arbitrária.
- Tortura.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Prisão ilegal e arbitrária foi considerada pela Comissão Nacional da Verdade como uma verdadeira porta de entrada para o sistema repressivo, porque consiste no ato inicial que suspende garantias fundamentais e subtrai a pessoa à proteção do Estado de direito.
Ao ser submetido a desproteção jurídica — sem ordem judicial, sem acesso a defensor ou a controle externo — o preso fica vulnerável a práticas ilícitas dos agentes: interrogatórios clandestinos, tortura, transferências secretas e ocultação de informações.
Esse isolamento operacionaliza posteriores violações mais extremas, como o desaparecimento e a morte, além de fomentar a impunidade por ausência de registro e fiscalização. Por isso a CNV tratou a prisão arbitrária como violação grave e estruturante do regime.
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