Questão FC280205
“Pelo que demonstram as fontes e a própria historiografia, o comércio de escravos do sertão era bastante lucrativo [...]. Quanto ao tráfico de índios apresados no Piauí, tudo indic
História do Brasil
IDECAN · 2024
“Pelo que demonstram as fontes e a própria historiografia, o comércio de escravos do sertão era bastante lucrativo [...]. Quanto ao tráfico de índios apresados no Piauí, tudo indica que foi bastante expressivo. Essa hipótese tem por base os dados demográficos [...]. Após a fase do devassamento e conquista das terras do Piauí, a guerra contra os nativos continuou. Por todo o século XVIII, foram várias as entradas apresadoras de ‘peças do sertão’. Isso ocorria apesar da atuação dos jesuítas em defesa dos índios e das proibições régias ao cativeiro dos mesmos. Tais investidas, em geral, foram promovidas pelos próprios governadores e executadas por pessoas de influência política na sociedade local. As guerras eram consideradas justas e o argumento utilizado era sempre a ameaça dessas tribos aos habitantes [...].”
EUGÊNIO, João Kennedy (Org.). Escravidão negra no Piauí
e temas conexos. Teresina: EDUFPI, 2014. p. 157.
Assinale a afirmativa que corresponde ao motivo pelo qual as entradas apresadoras de nativos do sertão continuaram no Piauí ao longo do século XVIII, apesar das proibições régias e da atuação dos jesuítas em defesa dos indígenas.
- Porque as guerras eram consideradas injustas, mas necessárias para proteger os habitantes da Capitania.
- Devido à lucratividade advinda de seu comércio, sob a justificativa de as guerras contra eles serem justas.
- Porque os povos indígenas eram aliados dos colonos e não representavam ameaça.
- Porque os jesuítas não tinham influência e nem atuação na região do Piauí.
- Devido à falta de conhecimento sobre as proibições régias.
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Gabarito
B
Comentário do professor
As entradas apresadoras continuaram porque eram impulsionadas sobretudo pela lucratividade do comércio de escravos e do cativeiro de indígenas, que gerava ganhos econômicos significativos para a elite regional.
Governadores e pessoas de influência promoviam e participavam das investidas, mesmo com as proibições régias e a atuação dos jesuítas, pois o benefício econômico se sobrepunha às normas.
Para legitimar essas ações, empregava-se a justificativa de que as guerras contra os nativos eram justas — argumento que transformava a apropriação de mão de obra e terras em ação legítima aos olhos da sociedade local.
Assim, a combinação entre interesses econômicos e legitimação ideológica explica a persistência das entradas no século XVIII.
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